Basta ver o trailer para encontrar o mesmo de sempre: uma série de piadas prontas, personagens um tanto atrapalhados, um par de canções pop, vozes emprestadas de atores do segundo time, uma mensagem edificante – que deve obrigatoriamente conviver com o humor referencial e simples -, flatulência e um caso de amor terno.
O enredo, como era de se esperar, traz todas essas informações, entre outras que podem confundir os espectadores mirins, alvo da produção. A história se desenrola em uma pequena granja, onde os animais vivem harmoniosamente com suas rotinas habituais, exceto quando o granjeiro dorme ou sai do local. Sem a presença humana, os animais da fazenda mostram sua verdadeira personalidade, organizando festas no celeiro, praticando esportes radicais e contando piadas.
Quem lidera toda a bicharada, que parece mais estar em um clube juvenil, é o respeitado e atento Ben, que embora a tradução (nas legendas e na dublagem) diga que é um boi, trata-se, na verdade, de uma “vaca macho” (basta ver o aparelho mamário à mostra). Ele é o chefe zeloso da comunidade, que protege a todos dos belicosos e assassinos coiotes.
Tudo muda quando os tais coiotes invadem a granja e atacam a valorosa vaca masculina, forçando o jovem amalucado Otis (filho adotivo de Ben) a amadurecer e enfrentar as responsabilidades de seus humorados amigos. Ao mesmo tempo, claro, em que tenta engatar um romance com a “vaca fêmea” Daisy.
Se de alguma forma O Segredo dos Animais é ligeiramente superior a tolices como O Bicho vai Pegar (para falar apenas do mais recente), a explicação está na figura do diretor e roteirista Steve Oedekirk (Ace Ventura). O pouco usual comediante consegue manipular com - bastante destreza - um estilo de humor que se alinha entre o apatetado e o sofisticado. Por isso, seu filme consegue alinhar as piadas (ainda que prontas) de forma mais competente do que seus colegas de gênero.
No entanto, ele ainda está longe de surpreender no quesito técnico, muito abaixo do realismo de Os Sem-Floresta ou Carros. A animação apenas cumpre sua função ao entreter por pouco mais de uma hora.
O que falta na produção, sem dúvida, é um cuidado maior sob o ponto de vista narrativo. Não há porque deixar de inovar e ser original apenas por se tratar de uma obra voltada para o público infantil.
