04/06/2026
Drama Documentário

O Caminho para Guantánamo

Quatro jovens de origem paquistanesa ou bengali, moradores em Londres, viajam ao Paquistão para o casamento de um deles. Antes disso, vão ao Afeganistão. Mas, um mês depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, o clima é de paranóia no mundo. Eles acabam acusados de terrorismo e enviados para a temível prisão secreta de Guantánamo, Cuba, sob controle dos americanos.

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O cineasta inglês Michael Winterbottom segue uma receita toda particular de realização de docudramas, misturando cenas documentais com reencenadas, mas sempre a partir de histórias reais e de fundo político. Como fez por exemplo no candente Neste Mundo (Urso de Ouro no Festival de Berlim 2003).

Neste novo filme, O Caminho para Guantánamo, ele parte da história de quatro amigos, jovens na faixa dos 20 anos, britânicos de origem paquistanesa e bengali, que têm o azar de estarem na hora errada, no lugar errado e por isso são colhidos na paranóia pós-11 de setembro de 2001.

Um dos rapazes ia se casar no Paquistão. Mas os amigos decidem antes viajar ao Afeganistão. Sua intenção era participar da campanha de solidariedade muçulmana àquele país, que estava sendo severamente bombardeado pelos EUA, por supostamente ser o esconderijo do terrorista Osama Bin Laden - apontado como o cérebro por trás do atentado às Torres Gêmeas de Nova York.

Um dos rapazes desaparece na confusão. Os outros três acabam sendo presos como supostos terroristas e levados para a prisão clandestina de Guantánamo, Cuba. Lá, como prisioneiros sem direito a desfrutar do mínimo respeito humano, são encapuçados, submetidos a espancamentos, choques de frio e calor, além de uma permanente tortura psicológica, que visa levá-los a confessar serem “combatentes”, isto é, membros da guerra santa promovida pela Al Qaeda. E assim permanecem por quase dois anos, sendo dos poucos que conseguiram sair de lá. Estima-se que 750 presos tenham passado por Guantánamo, sendo que cerca de 500 ainda lá permanecem. Só dez deles foram formalmente acusados de algum crime.

Winterbottom (que dividiu a direção com Mat Whitecross) reencena com realismo e urgência o martírio dos rapazes, intercalando as cenas com depoimentos dos personagens reais. Seu filme venceu o Leão de Prata (direção) no Festival de Berlim.

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