03/06/2026
Drama

Paixão Sem Limites

Morando, ao lado do marido, numa instituição para criminosos com problemas mentais, uma mulher acaba se envolvendo com um paciente que matou a família. Isso tudo é observado por um médico veterano que tem uma estranha atração por essa mulher. O roteiro é baseado no livro Manicômio, de Patrick McGrath, mesmo autor do romance que originou Spider – Desafie Sua Mente, de David Cronenberg.

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Com um inexpressivo título em português, Paixão sem Limites pode enganar um espectador mais desatento. Longe de ser uma história de amor romântico, regada a boas doses de ternura, a produção traz uma relação perversa e doentia entre os personagens. O amor é, aqui, uma condição patológica devastadora.

Baseada no romance Asylum (nome original do filme), do perturbador Patrick MacGrath (autor também de Spider, que foi ao cinema pelas mãos de David Cronenberg), a produção traz mais uma vez um dos temas preferidos do escritor: os intensos processos psicológicos na reintegração social de pacientes de hospitais psiquiátricos.

A história se passa na Inglaterra dos anos 50 e nos apresenta Stella (Natasha Richardson), a sofisticada, porém frustrada, esposa do superintendente de um hospital psiquiátrico, Max (Hugh Bonneville). O casal mora com o filho Charlie nas dependências da instituição, ilhados do glamour da vida londrina.

Antes de o tédio dominar por completo a vida de Stella, ela conhece Edgar (Marton Csokas), um dos pacientes do hospital. O contato entre eles é um tanto dúbio a princípio, como se fosse manipulado pelo Dr. Pete Cleave (sir Ian Mckellen), médico preterido para a vaga ocupada por Max.

Seja como for, o inevitável e intenso caso amoroso entre a esposa do médico e o paciente torna-se o complicador, cujo desfecho é, no jogo de Macgrath, uma paranóica relação de posse e pertencimento. O diretor David Mackenzie (Young Adam), trabalha com destreza essa abordagem, sem cair no invariável clichê gerado por essas situações.

Mais do que isso, o cineasta permite o acesso do espectador ao universo do escritor, que não considera o amor como um valor em si, pois exige o sacrifício da exclusividade frente à sociedade (de modo integral). Segundo ele, os “amantes devem ser reabilitados para uma sociedade mais ampla”.

Além de uma história bem contada, o filme traz ainda um excelente elenco, encabeçado pela bela Natasha Richardson (filha da atriz Vanessa Redgrave e do diretor Tony Richardson) e do celebrado ator inglês sir Ian Mckellen. Eles concentram toda a desestruturação mental pela qual passam os personagens além de, claro, elevarem a qualidade do filme com competência e elegância.

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