03/06/2026
Comédia

Macunaíma

Desde o nascimento, no campo, Macunaíma (Grande Otelo) mostra-se preguiçoso demais. Não quer saber de nada e vive se aproveitando dos irmãos e de quem puder. Um dia, torna-se branco (Paulo José), separa-se da família e vai viver aventuras na cidade. Lá conhece uma bela guerrilheira (Dina Sfat) e também um homem rico e poderoso, devorador de homens (Jardel Filho).

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O famoso herói sem nenhum caráter criado pelo genial Mário de Andrade ganhou vida própria neste clássico do cinema brasileiro, que volta às salas 36 anos depois de sua realização.

Pena o diretor Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988) não estar vivo para ver este relançamento de sua obra mais famosa, que vem escorado na restauração de todos os seus 14 filmes (seis longas e oito curtas), com patrocínio da Petrobras. Todos eles serão lançados numa caixa em DVD em maio de 2007, quando Joaquim completaria 75 anos.

A restauração permitiu recuperar as imagens deste filme que reproduz a ousadia do livro original com grande personalidade cinematográfica, permitindo que até quem não leu o texto de Mário de Andrade possa acompanhar a história e fruí-la.

A boa notícia é que o filme não envelheceu. Visto quase quatro décadas depois de sua realização, mantém intocado o espírito anárquico, cínico e inventivo que o caracterizaram sempre. Para quem não sabe ainda, Macunaíma (interpretado por Grande Otelo e Paulo José em momentos alternados) é uma figurinha malandra, que nasce no campo ( a cena do nascimento é impagável, com Paulo José, ali no papel de mãe, “dando à luz” Grande Otelo). Desde pequenininho, mostra sua índole avessa ao trabalho. Ao ser chamado pelos irmãos a desempenhar qualquer tarefa, sua invariável resposta é; “Ai, que preguiça””.

Tirando proveito de inúmeras lendas da mitologia brasileira, a sina de Macunaíma incluirá tornar-se branco depois de banhar-se numa água mágica – passando aí a ser interpretado por Paulo José. Vive diversas aventuras no campo e na cidade, onde se envolve com belas mulheres como uma guerrilheira (Dina Sfat) – um detalhe particularmente ousado, se se pensar que 1969 era o ano do auge da ditadura militar.

Todo o jogo do poder, com milionários como Pietro Pietra (Jardel Filho) devoradores de homens – a cena da “feijoada” em sua mansão é outro ponto alto – está muito presente nesta história, que dispara em muitas direções. Metáfora, delírio, comédia, drama, reflexão sobre a essência do Brasil racial e politicamente misturado e confuso. Enfim, um filme atual e necessário.

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