Mel Lisboa interpreta Cristiana, uma jovem estudante que se envolve com seu professor Saulo (Felipe Camargo, de Jogo Subterrâneo) e é militante de esquerda, no final dos anos 60. A paixão acontece à primeira vista. Tempos depois, ela o ajuda a cuidar de um companheiro que foi ferido durante uma ação. Para isso, a moça passa o dia num apartamento junto com esse guerrilheiro, enquanto Saulo só vem à noite.
Para segurança de Cristiana, ela não pode ver o rosto desse companheiro, o que obriga o personagem (vivido por Sérgio Marone, da novela Malhação) a usar um capuz boa parte do tempo. Confinados a um pequeno apartamento, o aparelho, a dupla começa uma amizade que rapidamente se transforma em romance. Eis aí o centro do dilema moral da personagem e a grande questão do filme.
Cristina passa a chamar o companheiro de Nijinsky, por que ele é obcecado pelo bailarino russo. O personagem, inclusive, chega a fazer performances exclusivas para a sua nova amada. Saulo tenta não se abalar com o ciúme, que considera como um “sentimento pequeno-burguês”. Porém, a tensão aumenta e ele decide mandar o companheiro para o interior, onde irá organizar os camponeses.
Com Sonhos e Desejos, o diretor estreante em longa Santiago (ele já havia feito curtas e trabalhado com assistente de direção em filmes como A Paixão de Jacobina, de Fábio Barreto) quer misturar política e sexo. Os personagens ora pregam a revolução, ora fazem malabarismos sexuais. Eles nunca parecem estar seguros do que falam. Para eles, a Revolução, a Luta, e a Organização sempre parecem algo distante, com a primeira letra em maiúsculo.
As opções visuais do diretor e do diretor de fotografia, Dudu Miranda, não ajudam em nada a melhorar o resultado final. A fotografia muda de cor e textura conforme o momento. Dentro do esconderijo, as cores são quentes; do lado de fora, tudo é azulado e as cenas do passado são em preto e branco. Aliam-se a essa verdadeira poluição visual as guitarras incessantes da trilha de Wagner Tiso e o resultado é pouco mais de uma hora e meia que parece não ter fim.
A certa altura, Cristiana e Nijinsky começam a falar que a reclusão os faz sentir saudades de coisas simples da vida. “Engraçado! Eu nem lembrava que existia cinema”, diz a moça. E é essa mesma sensação que se tem diante deste filme.
