O guardião do título é Rubén (Julio Chavéz), o guarda-costas de um ministro argentino, vivido por Osmar Núñez. Ele passa seus dias como a sombra do político, cuidando de sua segurança em casa, no escritório, em viagens. Sempre atento, o personagem não é de muitas palavras e traduz no olhar muito do que pensa e sente.
Rubén é uma figura que transita entre o anjo da guarda e o bobo da corte do ministro e de sua família. No entanto, depois de se submeter a humilhações e broncas, percebe-se que está prestes a explodir. O político não hesita em usar os talentos como desenhista de seu guardião para impressionar visitantes franceses só para diverti-los, por exemplo.
Fora do ambiente profissional, a vida de Rubén também não lhe reserva muitas alegrias. Ele divide o tempo entre visitar a irmã internada com problemas mentais e assistir TV. O marasmo impera e o personagem parece estar conformado com isso. Até um dia.
Para traduzir essa vida estável em imagens, Moreno usa planos longos e poucos movimentos de câmera, que sempre parece perseguir o guardião, mesmo quando ele está ‘escondido’ atrás de seu protegido.
O Guardião, com suas imagens contidas e roteiro apurado, mostra uma tensa relação entre uma burguesia sem charme e os oprimidos em busca de seu espaço na sociedade argentina, que a cada dia engole ainda mais os menos favorecidos.
