Elaborado por dois irmãos, Daniel Solá Santiago, um diretor de produção, e Lílian Solá Santiago, uma historiadora, este documentário fornece elementos para uma reavaliação da riqueza da trajetória da cultura negra no Brasil e também de sua capacidade de resistência e integração em relação à cultura branca e católica.
Esta numerosa família Alcântara, radicada especialmente em Minas, reproduz o ciclo de vida de vários afro-descendentes no Brasil – com a vantagem de não ter-se dispersado ao longo do caminho. É formada por 78 pessoas da etnia bantu, que acreditam ser os descendentes de populações trazidas a Minas por volta de 1760, para trabalho agrícola. É particularmente interessante reconstituir esta história familiar no depoimentos dos membros mais velhos da família, como uma bisavó quase centenária.
O coral que se vê no filme integra quatro gerações dos Alcântara. Outras manifestações culturais da família incluem peças teatrais que remetem à região do Congo e abordam a escravidão, a diáspora, a desagregação cultural e as revoltas dos escravos. E também se atente para as congadas, que integram ritos católicos e outras celebrações religiosas e culturais de origem africana, como a marujada do Nordeste e o maracatu pernambucano. Este é um retrato vivo da miscigenação racial e cultural que está na base da particularidade do Brasil.
O filme já foi exibido em diversos festivais, como o É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários (2004), o Guarnicê de Cinema e Vídeo (2004), Cuiabá (2004) e Mostra Internacional do Filme Etnográfico (2005).
