A diferença aqui é que, em vez de um tratado sociológico, este documentário procura referências em diversos filmes que tiveram o Brasil como cenário ou tema. Caso de Feitiço do Rio, de Stanley Donen, Orquídea Selvagem, de Zalman King, Amazônia em Chamas, de John Frankenheimer, O Homem do Rio, de Philippe de Brocca e Próxima Parada, Wonderland, de Brad Anderson (que, na verdade, apenas usa um personagem supostamente brasileiro e Bossa Nova na trilha).
Filmando na França, Suécia e EUA, Lúcia entrevista diretores, produtores, roteiristas e atores, além de cem pessoas comuns nas ruas no exterior, na tentativa de explicar como e porquê essa imagem distorcida do Brasil se forma e mantém. Há casos assumidos como Zalman King, que não nega ter procurado o Brasil já contando com essa visão de um paraíso do erotismo e do sexo fácil que os estrangeiros tão facilmente adquirem sobre o País. Há opiniões mais amorosas sobre nós, caso do diretor francês Philippe de Brocca. Às vezes, ser positivo também é um problema, pois se constrói uma versão excessivamente adocicada.
O filme é, em todo caso, muito oportuno para que os próprios brasileiros reflitam sobre este problema. Até porque não parece haver fácil solução à vista. O ator Michael Caine, que atuou em Feitiço no Rio - um filme que mostra uma visão ridícula do Brasil, com macacos nas praias cariocas -, sugere uma saída bem-humorada. Para ele: “Se vocês querem ser levados a sério, devem enfeiar. Como nós, ingleses”.
