O filme tem sim um clima noir, mas Belloto não é Raymond Chandler, Remo Bellini não é Philip Marlowe, os becos mal-iluminados de São Paulo não têm nada a ver com a Los Angeles dos anos 40 e nossas prostitutas em nada se parecem com as frágeis e decaídas starlets de cinema na mira de uma bala de revólver. O gênero policial brasileiro, bem representado no lado carioca por Rubem Fonseca e no paulista por Marçal Aquino e seus matadores de periferia, não precisa da ajuda de Hollywood para existir. Nada mais fora da realidade do que o detetive mauricinho interpretado por Fábio Assunção, que não escaparia ileso de um passeio de meia hora pelo centro de São Paulo na calada da noite.
Em Bellini e a Esfinge, seguindo o clássico modelo das histórias policiais americanas, o detetive usa seus conhecimentos para desvendar um crime, embrenha-se num cipoal de pistas falsas, vira o principal suspeito e prepara a platéia para o final surpreendente. Mas, talvez não confiando na capacidade do espectador, o diretor usa imagens dispensáveis para mostrar como o crime realmente ocorreu, desvendando passo a passo quem são os verdadeiros culpados.
Fábio Assunção é o detetive particular Remo Bellini que trabalha para uma agência dirigida por Dora Lobo (Eliana Guttman), a chefe durona que solta baforadas de cigarrilhas e pede empenho nas investigações. A pedido de um médico conceituado (Paulo Hesse), inicia as buscas para encontrar uma prostituta desaparecida com quem o homem mantinha um caso extraconjugal.
Para ajudá-lo, Beatriz (a bela mas inexpressiva Maristane Dresch), uma jovem detetive, também entra nas investigações. Claro que a contragosto de Remo, que dispensa a ajuda de parceiros para executar seu trabalho. A busca pela garota comprova que o caso é mais intrincado do que parece, principalmente quando o médico é encontrado morto e começam a surgir suspeitos. No elenco, Malu Mader interpreta uma bela prostituta que ajudará nas investigações.
Cineweb-1/3/2002
