De um lado do Atlântico, temos a bem-sucedida produtora de trailers de cinema Amanda (Cameron Diaz), infeliz no amor e incapaz de verter uma lágrima. Do outro, está a jornalista Iris (Kate Winslet), que acaba de levar um fora do homem que ama, mas que vai casar com outra – apesar de continuar usando-a como editora de seus textos. Depois de decepções amorosas, as duas acabam se ‘conhecendo’ num site que organiza intercâmbio de casas – ou seja, uma vai para a casa da outra.
Claro que, chegando em seu destino, elas vão encontrar um novo amor, superar todos os traumas e se tornarem seres humanos melhores. Nada de novo no Reino da Comédia Romântica. No entanto, a diretora e roteirista insiste em transformar seus personagens em meros autômatos incapazes de dizer uma frase humanamente real. Eles vomitam frases prontas retiradas de algum manual de conselhos sentimentais.
Há dois filmes tentando se canibalizar em O Amor Não Tira Férias, um deles um pouco menos pior do que o outro. Aquele que traz Iris indo passar o final do ano em Los Angeles consegue achar alguns pontos positivos. Em especial por conta de Kate Winslet, que se esforça e, às vezes, consegue tirar sua personagem da vala comum – mais por inteligência e carisma próprios do que alguma qualidade do roteiro. No Novo Mundo, ela conhece um produtor musical, vivido por Jack Black, e um roteirista aposentado, interpretado pelo veterano Eli Wallach, que vão aumentar sua autoconfiança.
Porém, para Amanda, no Velho Mundo, não há nada de novo. Um estranho bate em sua porta no meio da noite e, para surpresa dela e da platéia, ele tem cara, o físico e o charme de Jude Law. A paixão entre os loiros e magros é imediata – diferente daquela entre os não-tão belos e não-tão magros. Todo mundo sabe o que acontece no final, só de olhar o pôster do filme.
Na tentativa de só usar gente bonita e rica, a diretora faz um filme insuportavelmente banal e chato. Não há sequer o charme de seu filme anterior. É de se pensar que todo o mérito de Alguém Tem que Ceder pertenciam a Diane Keaton e Jack Nicholson.
Em uma das cenas, Iris assiste na TV a Jejum de Amor (uma espécie de avó das comédias românticas). Não faria nenhum mal Nancy Meyers ter visto mais filmes como esse na hora de conceber seu O Amor Não Tira Férias. Aqui, falta tudo aquilo que abunda no filme de Howard Hawks, como charme, simpatia, carisma e sagacidade.
