Apesar do pingue-pongue ser considerado o esporte nacional, esse grupo de crianças que vivem próximas ao deserto de Gobi nunca ouviram falar do esporte. E a bolinha começa a causar polêmica com um grupo de amigos que questionam de onde aquilo veio e para o que serve, depois que um deles a encontra perdida no rio. Dois deles, aliás, começam a reclamar a posse da bolinha – e só uma decisão salomônica para resolver o problema.
O mais interessante desse longa, escrito e dirigido por Hao Ning, é acompanhar as aventuras e desventuras do pequeno Bilike tentando descobrir qual a função daquela ‘pérola iluminada’. Essa jornada deixa de lado um pouco do cinismo que domina o mundo (inclusive o infantil) para mergulhar numa ingenuidade típica da infância, quando se está descobrindo as coisas e perdendo um pouco da inocência.
Como Camelos Também Choram, esse drama rompe com a linha tênue que separa ficção e documentário. Há um certo olhar de estrangeiro, ávido pelo exotismo da região, mas também é inegável que o diretor busca retratar a vida da família de Bilike sem muita alteração ficcional. São criados incidentes narrativos, mas são os momentos livres de ficção que dão mais força e beleza a Pingue-Pongue na Mongólia.
