Benigni continua com o mesmo comportamento histriônico que demonstrou ao escalar as poltronas na premiação do Oscar para chegar até o palco e receber a estatueta das mãos de Sophia Loren. Mas lhe falta um pouco de sutileza.
Em O Tigre e a Neve, Benigni é o professor universitário Attilio, que se apaixona por uma colega chamada Vittoria, vivida por Nicoletta Braschi, que também foi o seu par romântico em “A Vida é Bela” e é sua mulher fora das telas.
Ela, porém, não quer nada com ele. E quanto mais o professor insiste, menos a mulher se interessa por ele. Vittoria tem outros interesses. Está trabalhando na biografia de um poeta iraquiano, que viveu por muito tempo em Paris, mas agora quer voltar para a sua terra natal.
Por conta do destino, Vittoria acaba num hospital em Bagdá, vítima de um edema cerebral, o que desloca a ação e Benigni para a cidade, em plena guerra. Ela está jogada num canto do hospital, que não possui equipamentos nem medicamentos para suprir as necessidades dos feridos. Fingindo-se de médico da Cruz Vermelha, o professor chega à cidade para cuidar de sua amada.
Ela está a beira da morte, e precisa de remédios para reduzir a pressão do edema, porém, a cidade está em ruínas, após ataques. Attilio é teimoso e não vai desistir fácil. Para alcançar seus objetivos ele emprega os mais estranhos estratagemas, até descobrir que o remédio pode ser feito por um químico iraniano. Ele sai em busca do cientista para salvar a vida de Vittoria.
Em alguns momentos, Benigni usa o mesmo recurso do diretor Pedro Almodóvar no filme Fale com Ela e passa a conversar com a mulher como se ela pudesse ouvi-lo. Mas não chega perto da sensibilidade obtida por espanhol. Mais uma vez, Benigni tenta abordar assuntos sérios com humor, mas não conseguiu nem mesmo se aproximar da polêmica causada por A Vida é Bela.
