03/06/2026
Documentário

Os Melhores Anos de Nossas Vidas

Por meio de depoimentos, este documentário remonta a vida no Sanatório Santo Ângelo, em Mogi das Cruzes (SP). São diversas memórias de pessoas que enfrentaram o isolamento por causa do preconceito.

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Numa das primeiras entrevistas deste documentário, um homem diz que está internado há 65 anos e sabe que jamais poderá sair. A diretora, porém, é astuta o bastante para segurar o interesse do espectador para saber a causa e o local da internação. Outros depoimentos completam o panorama do assunto que o filme pretende abordar. Quando finalmente chega no centro da questão, o documentário já fisgou o seu público, evitando assim um preconceito inicial que poderia distanciar o público.

Os Melhores Anos de Nossas Vidas fala de um grupo de pessoas que foram obrigadas a se isolar do resto da sociedade por serem portadoras de hanseníase. Eles ficaram confinados às dependências do Sanatório Santo Ângelo (hoje Hospital Dr. Arnaldo Pezutti Cavalcanti), em Mogi das Cruzes.

Os diversos depoimentos de ex-pacientes montam um painel da vida confinada. Como não podiam sair em hipótese alguma, o sanatório era uma espécie de cidade, com prefeitura, cinema, salão de baile e até igreja.

A documentarista, com seu olhar humanista, joga uma luz sobre um grupo de pessoas que foram praticamente ignoradas pela sociedade. Com os depoimentos emocionados e sinceros, ela transforma preconceito em interesse humano. As lembranças afetivas dos entrevistados vão desde a importância do imponente cinema de mil lugares até como romances surgiam dentro da própria instituição.

Ganhador de uma menção honrosa no Festival É Tudo Verdade, em 2003, Os Melhores Anos de Nossas Vidas é uma lição de esperança e antídoto contra preconceito. Comovedor e honesto, o documentário cumpre a função de romper barreiras e obrigar o publico a rever conceitos.

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