03/06/2026
Comédia Drama

Casamento Arranjado

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O conflito entre a paixão e a conveniência ocupa o centro desta obra isralense - outra destas filmografias que raramente aportam nas salas brasileiras. Israel, é verdade, também não tem uma produção cinematográfica muito grande, embora possa se orgulhar de um cineasta do nível de Amos Gitai (de Kippur e Kadosh) entre seus principais criadores.

Dover Koshashvili, o diretor deste longa, é um dos muitos imigrantes que fizeram de Israel sua pátria. Nascido em 1966, veio da Geórgia, parte da extinta URSS, e encharca de uma singularidade étnica as pressões familiares que governam o dilema desta singela comédia dramática, ultrapremiada em seu país de produção - recebeu nada menos de dez dos doze troféus a que foi indicada em 2001 na Academia israelense, inclusive melhor filme e diretor.

O protagonista é Zaza (Lior Loui Ashkenazi), um solteirão de 32 anos, ainda dependente dos pais, Yasha (Moni Moshonov) e Lili (Lili Koshashvili), enquanto faz doutorado em filosofia. A dependência, como sempre, tem um preço: os pais querem a todo custo que se case o quanto antes com uma moça bonita, virgem e de boa família, para que possam ter um neto. Assim, arrastam o filho para uma série de visitas a jovens em idade de casar, como a estonteante Ilana (Aya Steinovits Leor). Mas Zaza parece um bocado relutante e sempre dá um jeito de dispensar a candidata.

Faz-se um pouco de mistério sobre o motivo do comportamento de Zaza, mas ele logo aparece: trata-se de Judith (Ronitz Elkabetz), divorciada de 34 anos e mãe de uma menina de nove, que atende pelo curioso nome de Madona (Sapir Kugman). É para seu apartamento que Zaza vai todas as noites e para lá que leva presentes e mantimentos, comprados com a mesada dos pais. Não demora, a revelação vira um pequeno escândalo familiar, onde transparecem as pressões para que o relacionamento seja rompido. Não cabe no estreito modelo da conveniência familiar que a esposa seja mais velha, muito menos uma divorciada com uma filha de outro homem.

Uma das melhores coisas do filme, que começa meio abruptamente, está nas conversas dos velhos da família, todos eles com uma história de prensa que levaram de algum parente para finalmente casar e ter filhos, passando adiante esse bastão cuja lógica parece impossível de desafiar. Mesmo com seus defeitos, a história traça um painel detalhado sobre o peso implacável desta tradição, com um furor que parece incrível nos dias de hoje. As cenas calientes de sexo entre Zaza e Judith também chamaram a atenção em mais de um lugar onde o filme passou.

Cineweb-24/9/2002

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