A trama do filme é uma comédia de erros rocambolesca com tudo para agradar aos espectadores do seriado, pois, além de se parecer com um capítulo do programa, deixa algumas pontas soltas que provavelmente serão retomadas na próxima temporada. A mais importante delas é a gravidez de Bebel (Guta Stresser). Há também a possibilidade de migrar para a telessérie a personagem de Dira Paes, que foi apresentada no filme. Marina é uma colega de trabalho de Lineu que tenta seduzi-lo no escritório.
O patriarca Lineu (Marco Nanini) também passa por transformações. Depois da morte de um colega de trabalho, ele acha que está doente e prestes a morrer. Essa é a desculpa para o filme explorar três tramas a partir na vida da família a partir da possibilidade da morte do personagem. Seguindo rastros de clássicos como Rashomon, de Akira Kurosawa, o longa lida com várias possibilidades a partir de um ponto inicial.
As três possibilidades incluem a presença de Carlinhos (Paulo Betti), ex-pretendente de Nenê, que ela reencontra no supermercado; um baile, no qual Lineu e sua mulher se conheceram, e freqüentam há 40 anos; e a gravidez de Bebel. No entanto, o que muda as tramas e conduz cada segmento é a forma como Lineu encara a morte. Às vezes deprimido, outras, conformado, ou exageradamente abnegado, o personagem altera toda a vida da família e da vizinha Marilda (Andréa Beltrão).
O elenco é o mesmo da série, que também inclui Pedro Cardoso, como marido de Bebel; Lucio Mauro Filho, como o primogênito e preguiçoso Tuco; e Tonico Pereira, como colega de trabalho de Lineu. A Grande Família – O Filme tem cenas rodadas em locações (e não apenas em estúdio, como o seriado), mas isso não faz muita diferença, quando os qüiproquós dos personagens não vão muito além daquilo tudo que já exploraram na televisão.
Dirigido por Mauricio Farias, que também assina a série da televisão, além do longa O Coronel e o Lobisomem, A Grande Família – O Filme se esforça para ter algum diferencial em relação ao programa original, com uma história que tem mais cara de cinema do que televisão. Mas seu ritmo, interpretações e soluções não conseguem ir além de um episódio ampliado.
