Ambicioso de saída, O Bom Pastor propõe-se, nada mais, nada menos do que expor o funcionamento da CIA, a toda-poderosa agência de informação e espionagem norte-americana que, desde sua fundação, em 1947, pleno pós-guerra, esteve por trás de tantos tumultos políticos no mundo.
De Niro entra nesse mundo furtivo e poderoso através da figura de Edward Wilson (Matt Damon), brilhante aluno da universidade de Yale, apaixonado por poesia, que troca a literatura pelo trabalho no serviço secreto. Cooptado para essa função supostamente patriótica, Wilson começa atuando na Europa ainda durante a II Guerra. De volta aos EUA, passa a comandar o serviço de contra-inteligência da CIA, sempre envolvido em episódios políticos cruciais na história de seu país – o mais dramático, a crise na Baía dos Porcos, em Cuba, durante o governo John Kennedy e que por pouco não causou a III Guerra Mundial, em 1961.
Mantendo sempre um tom sóbrio, coerente com a gravidade de seu tema, o filme evolui apoiado num roteiro sólido (de Eric Roth) e numa, compreensivelmente, excelente direção de atores, a partir de um elenco verdadeiramente estelar – integrado por William Hurt, Angelina Jolie, Billy Crudup, Alec Baldwin, Michael Gambon, Joe Pesci, John Turturro, além do próprio De Niro, entre outros, e com muita justiça premiado com o Urso de Prata de melhor contribuição artística no Festival de Berlim em 2007.
Contando sua história em sucessivos flashbacks, indo e vindo no tempo, O Bom Pastor requer espectadores atentos e interessados. Indiscutivelmente, uma das ambições de De Niro terá sido lançar elementos para discussão do papel – desastroso – que a CIA exerceu e exerce ainda no mundo e do extraordinário poder de seus altos funcionários.
Qualquer semelhança com a realidade não é mesmo mera coincidência. O roteiro baseia-se na vida do agente James Jesus Angleton, que também estudou em Yale, amava poesia, dirigiu o Escritório de Serviços Estratégicos na II Guerra na Europa, bem como a contra-inteligência da CIA de 1954 a 1974.
