Depois disso, sequer sabem o nome um do outro. Eles se conheceram numa festa em Santiago, depois ele lhe ofereceu uma carona, uma coisa levou à outra e acabaram a noite na cama de um motel barato. Depois dos momentos de amor, o casal começa a se despir emocionalmente, acreditando que o anonimato é uma boa desculpa para ser honestos como nunca foram.
Mas o que é verdade e o que é real? Bruno e Daniela são mutuamente desconhecidos e o passado do outro é uma incógnita. Essa é a boa desculpa para aumentar histórias, inventar ficções pessoais.
Em uma declaração, o diretor Matias Bize disse que quis usar a cama como uma metáfora, ‘um lugar narrativo, como um espaço vital por excelência. É na cama que as pessoas nascem, brincam, procriam, descansam e morrem’. Assim, não existe um mundo externo para Daniela e Bruno além do espaço da cama onde estão.
Há um quê de Esperando Godot, de Beckett, no filme. Os personagens sempre dizem que vão embora, mas nunca se movem em direção à porta. Por isso, sempre há a chance de mais momentos de carinho, confusões e confissões.
Na Cama é um filme mais de personagens do que de narrativa. Com um roteiro que se apóia mais nos diálogos do que nas situações, o longa remete a filmes como Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-Do-Sol, ambos de Richard Linklater, e o brasileiro Incuráveis, de Gustavo Acioli.
Dos vários prêmios que ganhou em festivais, destacam-se o de melhor filme e atriz no Festival Internacional de Viña del Mar 2005, na votação do público, e melhor filme e roteiro, no Festival de Havana 2005.
