A atriz brasileira Bianca Byington é Ana Catarina, jovem que troca Pernambuco por Portugal, onde vai consumar seu casamento arranjado à distância, costume do século XIX, em que se ambienta a história. Ela reluta um pouco mas, por fim, casa-se. E aí dá início a uma espantosa série de casamentos, cada um mais rico do que o outro, mas que para ela terminam sempre iguais – mais dinheiro e uma nova viuvez, que aprofunda sua solidão.
Pela vida da Ana desfilam homens como o frio barão Fallorca (Diego Dória) e o lascivo capitão Malaparte (Rogério Samora) que sucessivamente vão morrendo. Nem sempre de morte natural, é bom que se diga.
E o coração da bela e rica viúva continua um deserto que ela sonha aquecer nos braços de um belo lenhador (Ricardo Pereira) – um relacionamento impossível pelas convenções da época e pela vigilância cerrada do padrinho do jovem, o abade (José Raposo).
Com essa trama, acontece o esperado humor negro, que é conduzido a passo lento pelo veterano cineasta angolano José Fonseca e Costa - na juventude, estagiário de Michelangelo Antonioni na filmagem de O Eclipse (1961). Ele realiza um filme correto, bem-produzido, com atores afinados, mas recaindo, ainda assim, na habitual contenção dos filmes de época, que costuma provocar um certo distanciamento do público.
