A época de ambientação é o Japão imperial e militarista às vésperas da II Guerra Mundial. Este tempo, porém, é apenas uma convenção, porque o que ocorre no contato entre os dois homens é o mesmo que em todos os lugares e épocas: a luta entre a imaginação e sua procura por espaço contra as rédeas do poder e sua crônica falta de humor.
A fluência da história deve muito à energia dos dois atores e ao timing dramático, mantido apesar da passagem do teatro para o cinema, especialmente por conservar-se vivo o permanente desafio às aparências e o constante alternar de controle da situação. Ponto para o diretor Mamoru Hoshi.
Apesar da desvantagem de depender da censura para liberar o texto de sua peça, Tsubaki não é ingênuo nem indefeso como se pode pensar à primeira vista. Acumula a vigorosa energia da juventude e também a astúcia de quem domina, melhor do que Sakisaka, o poder das palavras.
O fascínio do texto não é estranho ao censor, como se poderia também imaginar a princípio. O censor é funcionário público rigoroso e dedicado. Por força do hábito, não é capaz de compreender o humor contido na peça de Tsubaki, uma paródia do drama romântico mais famoso da história, Romeu e Julieta, de William Shakespeare. Uma das dificuldades da liberação, aliás, vem do fato de a inspiração provir de uma peça ocidental, num Japão crescentemente obcecado pelo nacionalismo. Nada estranho a outros tempos e lugares, igualmente viciados naquele tipo de pseudopatriotismo que leva à guerra.
A ironia da história está justamente na vontade reprimida de Sakisaka de interferir na trama. Ao compreender o desejo do oponente, Tsubaki abre espaço para que o censor se torne progressivamente co-autor da comédia, que vai tornando-se cada vez mais descabelada e vital. Cria-se uma situação semelhante à da comédia de Woody Allen, Tiros na Broadway (1994), em que um gângster (Chazz Palminteri) transformava-se progressivamente no ghost writer da peça assinada por um dramaturgo com bloqueio criativo (John Cusak). Só que aqui por astúcia do autor, não por falta de imaginação.
Embora o nome possa levar a equívocos – na verdade, Escola do Riso é o nome da trupe teatral a que pertence Tsubaki -, e haja momentos cômicos inegáveis, não se trata de uma comédia. É um drama no melhor sentido da palavra, do tipo que pretende fazer pensar, divertindo o espectador ao longo do processo.
