Há inúmeras razões para explicar o êxito dos filmes. A mais evidente é mesmo o carisma de Johnny Depp. O ator é o segredo por trás dos piratas. Em uma mistura de Buster Keaton e Charles Chaplin, Depp mostra um timming perfeito para a comédia, entre o humor pastelão e a fina ironia.
Outro ponto fundamental para compreender o fascínio causado pelas produções é a busca constante pelo espetacular, na linha das produções do cineasta Peter Jackson (King Kong, O Senhor dos Anéis). As delirantes cenas de ação, engrandecidas pelo uso de efeitos especiais, recheiam quase toda a história. O diretor Gore Verbinski opta, então, por distrair o espectador por meio de uma saraivada de batalhas minuto a minuto, em movimentos vertiginosos.
Essa característica de Piratas do Caribe - No Fim do Mundo, como de seus antecessores, mostra a deficiência da trilogia. A trama, no fim, torna-se apenas uma desculpa para orquestrar as elaboradas perseguições e escapadas. Não por acaso, a história ganha reviravoltas por vezes absurdas, apenas para envolver mais personagens nos conflitos.
Como os filmes são seqüenciais, é imprescindível assistir aos dois primeiros, para entender as nuances do enredo. Como já diz o título, o terceiro capítulo de Piratas do Caribe já começa com Will Turner (Orlando Bloom) e Elizabeth Swann (Keira Knightley) em direção ao suposto fim do mundo para encontrar Jack Sparrow (Johnny Depp). No último filme, ele havia sido engolido por um monstro aquático, Kraken, a mando do temido capitão do navio-fantasma O Holandês Voador, Davy Jones (Bill Nighy), sendo levado para o que supostamente parece ser uma outra dimensão.
Para isso, eles precisam angariar o apoio de uma confraria de piratas, formada por oito lordes provenientes das mais longínquas partes do mundo. Destaque aqui para a participação especial do rolling stone Keith Richards (que inspirou o personagem de Depp).
Enquanto isso, o casal é perseguido pela esquadra do comandante da Companhia das Índias Orientais, lorde Beckett (Tom Hollander). O vilão não apenas quer prender os heróis, como também exterminar todos os piratas e ter o domínio dos mares.
O poderio de lorde Beckett não seria tão perigoso se ele não estivesse com o coração de Davy Jones, justamente o conteúdo do baú da morte, mote do segundo filme. De posse do órgão, o vilão consegue persuadir o monstruoso capitão a trabalhar a seu favor.
Embora Gore Verbinski conte uma história tenebrosa, aproximando-se bastante do sinistro e violento, o clima zombeteiro indelével ameniza a produção. A figura de Jack Sparrow, somada a personagens secundários cômicos, faz com que Piratas do Caribe não afunde sob o peso da falta de uma estrutura narrativa e tanta maquiagem.
