03/06/2026
Suspense Drama

Zodíaco

No final dos anos 60, um assassino serial que se chamava de Zodíaco passou a aterrorizar a Califórnia, matando diversas pessoas. Ele mandava mensagens cifradas para diversos jornais e com isso desafiava a polícia a o prender. Até hoje não se sabe a sua verdadeira identidade. Mas um jovem cartunista de um jornal se interessou pelo caso e começou as suas próprias investigações.

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O cineasta David Fincher pode ter feito seu nome quando lançou o suspense Seven – Os Sete Crimes Capitais, em 1995, com um final assustador, quando o assassino entrega ao herói a cabeça da sua mulher dentro de uma caixa. Mais de dez anos depois, o diretor revisita o tema com Zodíaco. Porém, aqui os interesses dele são outros.

Baseado numa série de crimes que assombraram os Estados Unidos no final dos anos 1960, Zodíaco passa longe de ser um suspense – apesar de ser um filme tenso. A identidade do criminoso e sua captura são o que menos interessam a Fincher – até porque os crimes não foram resolvidos até hoje.

A narrativa começa em 4 de julho de 1969, quando dois adolescentes são assassinados friamente em São Francisco. Tempos depois, o assassino manda uma carta para diversos jornais da cidade dizendo que vai continuar a matança caso eles não publiquem um código cifrado que ele também enviou.

A charada foi desvendada por um professor e sua mulher e dizia: “Eu gosto de matar pessoas porque é mais divertido do que matar animais na floresta, porque o homem é o animal mais perigoso.” As mensagens e cartas continuaram chegando aos jornais – assim como a descoberta de novos corpos.

No jornal San Francisco Chronicle, a apuração dos crimes fica a cargo do repórter Paul Avery (Robert Downey Jr.), que conta com a ajuda extra-oficial do cartunista Robert Graysmith (Jake Gyllenhaal). No departamento de polícia, a investigação é conduzida pelos detetives Dave Toschi (Mark Ruffalo) e William Armstrong (Anthony Edwards). Nenhuma das duas frentes evolui muito em suas pesquisas para descobrir a identidade do assassino, apesar de todos os esforços para decifrar os códigos e agir rapidamente.

Graysmith decifra num dos códigos uma referência ao filme O Caçador de Vidas, e essa pista leva a polícia a Arthur Leigh Allen (John Carroll Lynch), que já tem um histórico de contravenções, mas não há evidências suficientes que o liguem ao assassino Zodíaco. Com o passar do tempo, a polícia começa a perder o interesse no caso, o bandido pára de atacar, mas a obsessão do cartunista não desaparece.

Zodíaco é um drama de escalas épicas. O longa cobre trinta anos na vida de seus personagens durante uma investigação que nunca foi conclusiva. O filme de Fincher é parte procedimento policial, parte investigação jornalística. Essa sua segunda faceta estabelece uma conexão com o clássico do gênero “Todos os Homens do Presidente”, que mostra a investigação de dois repórteres do jornal ‘The Washington Post’, que provocou a renúncia do presidente Richard Nixon, no escândalo de Watergate.

Não existe um apelo psicológico para explicar o comportamento do assassino. Fincher está mais interessado nas evidências reais. Ele é escrupulosamente detalhista e minucioso – sem ser excessivo ou virtuosístico.

O roteiro é baseado no livro escrito pelo próprio Graysmith, lançado nos anos 1980, recém- publicado no Brasil. A direção de Fincher, por sua vez, é segura com movimentos de câmeras sutis e uma fotografia bem cuidada de Harris Savides, que traduz em cores a descida dos personagens ao inferno.

Em uma de suas mensagens, o assassino Zodíaco sugere que sua vida daria um grande filme. E ele acertou. Só não se sabe se ele viveu para vê-lo.

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