Hanna leva uma vida isolada, na qual as palavras não são muito úteis. Não tem amigos, nem no seu ambiente de trabalho, uma fábrica de plástico. Seu único contato com o mundo é uma misteriosa mulher (Julie Christie) para quem ela telefona às vezes, mas não diz nada. Tamanho é seu isolamento que seu chefe diz que os demais trabalhadores reclamam porque ela não se relaciona com ninguém.
Forçada a tirar férias, as primeiras em quatro anos, a moça acaba conhecendo um homem que precisa dos serviços de uma enfermeira, para cuidar de um acidentado numa plataforma de petróleo. Hanna tem qualificação para tal e acaba aceitando o trabalho. Ela passa a assistir Josef (Tim Robbins), vitima de várias queimaduras no corpo depois de uma explosão.
Começa, então, uma jornada de autodescoberta e superação para Hanna, que deságua numa catarse comovente e completamente verossímil. Nesse percurso, Josef terá um papel fundamental. Como a visão dele também está temporariamente afetada, as conversas passam a ser a forma de comunicação primária entre os dois. Mas o que fazer quando as palavras não são suficientes para expressar toda a dor que se sente?
A Vida Secreta das Palavras, como o próprio título indica, fala daquilo que está além do que dominamos. Hanna sofre, isso fica claro, embora o motivo que a impede de levar uma vida menos solitária, de se conectar com outras pessoas, só será conhecido mais tarde. O isolamento é o seu refúgio.
Isabel Coixet já havia trabalhado com Sarah em Minha Vida Sem Mim, um filme que aborda temas parecidos, em especial o da ausência. Porém, aqui, a carga dramática e o talento da atriz são mais bem empregados. Desde sua interpretação contida e bela em O Doce Amanhã (1996), a jovem tem se firmado como uma das poucas intérpretes que conseguem transformar em palpável uma dor que parece ser sobre-humana.
A diretora, por sua vez, mostra mais facilidade para lidar com os atores do que com as imagens. Mas isso não a impede de extrair bons momentos, em especial com uma câmera meio solta e uma fotografia realista. A trilha sonora, que combina jazz e Tom Waits, David Byrne, Anthony and the Johnsons, também se destaca, e contribui na montagem dinâmica do filme.
O filme cresce quando dá espaço para vazão da humanidade de seus personagens. É nesses momentos, quando as palavras faltam, que os sentimentos se tornam reais, e as ações de Hanna e Josef, convincentes. O longa ganhou diversos prêmios, entre os quais, o Goya (o Oscar espanhol), de melhor filme, diretor, roteiro e direção de produção, em 2006.
