Aquele filme contava a história de um infeliz viúvo, obcecado por Eletronic Voice Phenomena (EVP), fenômeno no qual é possível escutar mensagens dos mortos por meio de aparelhos eletrônicos. Uma crença antiga, refutada por toda a comunidade científica, mas que ainda mantém o fascínio para certos adeptos.
Como parece que não ter apetecido aos fãs de suspense fantasmagórico, o estúdio descartou o EVP e resolveu apostar em outro tema – o que explica a mudança no título em português. Nesta seqüência, Luzes do Além, conhecemos outro infeliz personagem, Abe Dale (Nathan Fillion), cuja mulher e filho são inexplicavelmente assassinados por um rapaz, que em seguida se mata. Como não consegue superar a perda, Abe tenta se suicidar, mas acaba ressuscitado no hospital.
No entanto, antes de “voltar”, ele tem uma experiência pós-vida, na qual encontra sua falecida família no proverbial túnel de luz. O episódio lhe trará certos poderes sobrenaturais, como prever quem será a próxima vítima da morte. Ao tentar salvar os personagens de suas visões, Abe não prevê que, ao fazer isso, enfurece as soturnas forças do outro lado.
O desenrolar da história funciona bem na primeira meia hora, em grande parte graças ao trabalho de Nathan Fillion. O ator consegue introduzir emoções e humor que, ao que tudo indica, não constavam do roteiro. Uma performance dramática aliás pouco aproveitada nas séries televisivas de que o ator participa secundariamente, como Buffy, A Caça-Vampiros e Lost.
Apesar dessa atuação e de uma concepção engenhosa da história (para o seu gênero), as situações forçadas e absolutamente arbitrárias transformam o filme num desfile de incompetentes efeitos especiais e eventos progressivamente mais ilógicos. Ao tentar assustar espectadores com débeis estratégias, que deixaram de funcionar há décadas, a produção nem mesmo se qualifica a ser considerada um filme B.
As quase duas horas de projeção provam que Luzes do Além é mais uma daquelas medíocres seqüências realizadas para o mercado de home video americano, exibida nos cinemas apenas porque a distribuidora concluiu que poderá render algum dinheiro no mercado estrangeiro. Alguns críticos foram mais longe e, em tom de deboche, disseram que é melhor tentar fazer contato por meio de experiências EVP em casa, do que tentar assustar-se com esta produção.
