O roteiro de O Edifício Yacoubian é baseado num livro de Alaa Al Aswany, que fez muito sucesso no Egito e não esconde sua origem literária, desenvolvendo diversas tramas e explorando vários personagens, o que resulta em quase três horas de duração. No ano passado, o ator Adel Imam venceu o prêmio do público na Mostra Internacional de Cinema de SP.
Quando construído por um armênio, o Yacoubian era residência de paxás, estrangeiros ricos e até mesmo judeus. Porém, depois da Segunda Guerra, o prédio foi ocupado por famílias pobres que se instalaram no teto, enquanto os apartamentos passaram a ser residências de novos-ricos e pessoas que já viveram melhor.
O filme segue a vida de alguns desses moradores, acompanhando seus dramas e tocando em temas melodramáticos e outros tabus para a sociedade egípcia, como a homossexualidade, modernidade versus tradição e fundamentalismo religioso.
Zaki El Dessouki (Imam) já não tem mais fortuna e passa seu tempo tentando seduzir jovenzinhas, enquanto sua irmã (Issad Younis) tenta se apropriar do apartamento. Seu caminho acaba cruzando com o de Bosnaina (Hind Sabry), uma jovem que mora no teto do prédio. Taha (Mohamed Imam), ex-namorado da moça, tenta melhorar suas condições de vida, mas como não consegue, e torna-se um extremista religioso.
Já um jornalista Hatem Rasheed (Khaled El Sawy) seduz outros homens em seu apartamento. Uma de suas conquistas é um oficial que passa a ter crises de consciência por ser casado. Haj Azzam (Nour El Sherif) é um ex-engraxate que se tornou um rico empresário com aspirações políticas. Além disso, faz um segundo casamento com uma bela viúva que passa a cobrar muito dele.
Para o público brasileiro, O Edifício Yacoubian pode parecer uma versão egípcia do famoso romance O Cortiço, de Aluísio Azevedo, combinando dramas pessoais com comentários sociais. O longa equilibra, muitas vezes, um olhar mais intimista, com suas ambições épicas.
