Como nos filmes inspirados em histórias em quadrinhos, cujos roteiristas e diretores pisam sempre em ovos para não descontentar os fãs, a versão dos Simpsons para o cinema não superou a versão original. Como no futebol, não se mexe em time que está ganhando. E os Simpsons entram em campo na tela grande com todos os seus titulares. E a história brinca com coisas sérias, como é costume nos episódios de TV, com algumas pitadas de humor politicamente incorreto.
Agora, o tema da vez é a ecologia que, no filme, serve para desnudar o comportamento dos americanos, tão ciosos em “defender” a democracia em território alheio, mas nem um pouco conscientes em cuidar de seu próprio quintal.
Springfield, um microcosmo dos Estados Unidos, é uma cidade em que seus habitantes pouco se importam com o meio ambiente, de Homer Simpson até o mais desconhecido freqüentador do Bar do Moe. Claro que há uma exceção: a doce Lisa, aluna exemplar e fã do saxofonista John Coltrane, sempre engajada em campanhas ecológicas bem-intencionadas. No filme ela encontra um parceiro que é sua alma-gêmea, um menino irlandês que se mudou para a cidade. Mas o menino logo esclarece: não é filho de Bono, o vocalista da banda U-2, ativista das causas politicamente corretas.
A preocupação das duas crianças é com a preservação do lago da cidade, cujo excesso de poluição ameaça transformá-lo em uma bomba capaz de afetar o clima do país. Com muito custo, os dois conseguem convencer a cidade a se engajar numa campanha para manter o lago limpo. Mas a ação fracassa graças a um membro da família de Lisa, seu pai atrapalhado.
Homer, que decidiu adotar um porco como animal de estimação, lança no lago um verdadeiro contêiner contendo os detritos produzidos pelo animal. Era o que faltava para que as águas começassem a produzir peixes mutantes, com dezenas de olhos.
O alarma é dado e chega à Casa Branca onde um presidente tão atrapalhado quanto Homer, Arnold Schazenegger, decide isolar a cidade do resto do país, cobrindo-a com uma cúpula. Se Homer foi o causador da tragédia, terá agora de salvar a cidade.
E as confusões se sucedem com Bart aprontando tudo o que tem de direito em algumas seqüências bem divertidas, como o passeio de skate, pelado, apenas para pagar uma aposta feita com o pai.
