No caso de Garotas, Gritos e Música, o título que ganhou aqui no Brasil já dá uma boa dica do que se trata. Afinal, ninguém pode reclamar de que não foi avisado que o longa mostra um bando de moças tentando cantar e arrebentando a voz num microfone. Entre uma música e outra há uma trama para amarrar tudo.
Porém, por trás dessa máscara de superficialidade, uma banda de rock buscando o sucesso, existe um subtexto político mais complexo: a transição da Espanha de governo ditatorial para democracia. O filme se passa em 1981, um período de rebeldia cultural em Madri.
A personagem central é Sara (Veronica Sanchez) uma garota que mente para os pais e vai para um clube chamado O Inferninho, onde irá encontrar o namorado e com ele perder a virgindade. O casal vê a apresentação de uma banda chamada Las Siux, formada por Leo (Macarena Gomez), Carmen (Ruth Diaz) e Chus (Lluvia Rojo).
Uma série de acontecimentos acaba levando Sara até a banda, da qual deverá fingir fazer parte, e enganar o executivo de uma gravadora. Ele acaba aceitando ver o show das moças na noite de 23 de fevereiro. O que ninguém podia prever que esse será o dia de uma tentativa de golpe de estado.
Essa noite jamais deverá sair da memória dos espanhóis, com momentos de medo e insegurança. Para alguns, foi quando culminou um processo de reconciliação entre duas Espanhas. A diretora, roteirista e atriz Chus Gutiérrez coloca todo esse conceito em seu filme. Porém, desperdiça muito tempo com apresentações da banda de suas personagens. Já a perda da virgindade de Sara, como uma metáfora da perda da inocência da Espanha com a tentativa de golpe, e a posterior maturidade é o que funciona melhor no filme.
