Segundo o diretor Eric Steel, que até então só havia trabalhado como produtor (de filmes como Vivendo no Limite), as mais de duas mil pessoas mortas na ponte são invisíveis. Assim, a justificativa do documentário é denunciar um suposto descaso da administração pública, que parece despreocupada com esse tipo de incidente, que teria se tornado rotineiro. Pode-se questionar, por exemplo, porque não se constrói uma barreira anti–suicídio.
Não deixa de ser curioso, no entanto, que em toda a produção essa simples idéia sequer seja mencionada. Steel dá preferência aos relatos de testemunhas e familiares dos suicidas, os mesmos captados pelas câmeras mini-dv colocadas às margens do oceano. Uma série de impressionantes e, por vezes, tocantes histórias de vidas afligidas por psicopatologias, drogas e desestruturação familiar.
A opção por esses testemunhos inverte a premissa conceitual de A Ponte, tornando o filme mais um documentário sobre a luta contra distúrbios mentais do que propriamente sobre a ponte em si. Steel não tenta nem mesmo decifrar porque essas pessoas elegem a Golden Gate como o local de sua morte.
Um exemplo é de um homem filmado por 90 minutos antes de saltar para a morte. O filme deixa explícito que existe um comportamento padrão entre os suicidas - como o de caminhar sem rumo certo pelos 1, 3 quilômetros de extensão da mundialmente conhecida estrutura. As câmeras o captam subindo no parapeito, sentando-se nele e, em seguida, atirando-se ao mar. Não deixa de ser controverso que se assista a um potencial suicida por uma hora e meia e nada pareça ser feito para, pelo menos, tentar evitar a tragédia.
Em seguida, ao tentar explicar os motivos que levaram o rapaz a essa decisão, os depoimentos de amigos e familiares se confundem com uma série de outros relatos não relacionados. O espectador, nesse momento, deve ficar atento para não se confundir entre as histórias.
Por não deixar claro qual debate quer iniciar com A Ponte, Eric Steel perde uma oportunidade de ser mais incisivo. Esse talvez tenha sido o motivo pelo qual festivais internacionais como Cannes e Sundance recusaram-se a exibi-lo, tachando-o de sensacionalista.
