Brasileirinho ficou pronto em 2005 e estreou no Festival de Berlim daquele ano. Depois, entrou em circuito em diversos países da Europa, como França, Finlândia e Inglaterra. No Brasil, chega com dois anos de atraso porque o diretor teve que solucionar pendências com os direitos autorais de algumas músicas apresentadas no filme.
O documentário tem como fio condutor uma apresentação do Trio Madeira Brasil, composto por Marcello Gonçalves, Zé Paulo Becker e Ronaldo Souza. As filmagens acompanham a preparação e ensaios dos artistas, contando-se a história da evolução do choro ao longo de quase 150 anos.
Esse estilo de música exerce uma grande fascinação não só sobre estrangeiros, como Kaurismäki – radicado no Brasil há vários anos -, mas também brasileiros. Zé Paulo Becker era um conceituado músico erudito quando resolveu dedicar-se ao choro. Deixou os concertos internacionais de lado e foi para o botequim que, segundo ele, “é a grande escola da música brasileira”.
Para o trombonista Zé da Velha, “o choro é o jazz brasileiro”. O trompetista Silvério Pontes, por sua vez, considera que esse estilo não tem idade, comunicando-se com pessoas das mais diversas faixas etárias. Além disso, a música também tem o seu papel social. Brasileirinho mostra uma oficina de choro para crianças carentes no Rio de Janeiro.
Um dos destaques é a apresentação do violonista e compositor gaúcho Yamandu Costa. Em um de seus depoimentos, diz que “o violão de sete cortas é inteligente e chega a propor idéias” ao músico. Já o trompetista Joatan Nascimento destaca que tocar choro não é para qualquer um, pois o estilo pede uma improvisação e nem todos são capazes.
Kaurismäki é um apaixonado pelo Brasil e sua cultura. Estabelecido no Rio de Janeiro desde meados da década de 1990, ele tem se dedicado a estudar e filmar a música do país. Como está aqui há um bom tempo, seu olhar já não é mais simplesmente o de um estrangeiro encantado com o exotismo.
Apesar do tom muitas vezes às vezes muito didático, Brasileirinho é um convite a viajar pela cultura brasileira – em especial aquela que está ligada ao choro. Kaurismäki dosa bem os depoimentos e apresentações gravadas num show feito no Dia do Choro, 23 de abril, quando também se comemora o nascimento do compositor Pixinguinha (1897-1973).
