21/07/2026
Documentário

Brasileirinho

O choro é um dos estilos musicais mais importantes do Brasil. Este documentário, dirigido pelo finlandês radicado Brasil Mika Kaurismäki, busca as origens desse ritmo e procura delimitar sua importância para a cultura brasileira.

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O que o diretor finlandês Mika Kaurismäki fez pelo samba em seu Moro no Brasil (2002), ele agora faz pelo choro em Brasileirinho, no qual ele combina suas três grandes paixões: cinema, música e o Brasil. No documentário, ele retrata a vitalidade do estilo musical que é considerado genuinamente brasileiro.

Brasileirinho ficou pronto em 2005 e estreou no Festival de Berlim daquele ano. Depois, entrou em circuito em diversos países da Europa, como França, Finlândia e Inglaterra. No Brasil, chega com dois anos de atraso porque o diretor teve que solucionar pendências com os direitos autorais de algumas músicas apresentadas no filme.

O documentário tem como fio condutor uma apresentação do Trio Madeira Brasil, composto por Marcello Gonçalves, Zé Paulo Becker e Ronaldo Souza. As filmagens acompanham a preparação e ensaios dos artistas, contando-se a história da evolução do choro ao longo de quase 150 anos.

Esse estilo de música exerce uma grande fascinação não só sobre estrangeiros, como Kaurismäki – radicado no Brasil há vários anos -, mas também brasileiros. Zé Paulo Becker era um conceituado músico erudito quando resolveu dedicar-se ao choro. Deixou os concertos internacionais de lado e foi para o botequim que, segundo ele, “é a grande escola da música brasileira”.

Para o trombonista Zé da Velha, “o choro é o jazz brasileiro”. O trompetista Silvério Pontes, por sua vez, considera que esse estilo não tem idade, comunicando-se com pessoas das mais diversas faixas etárias. Além disso, a música também tem o seu papel social. Brasileirinho mostra uma oficina de choro para crianças carentes no Rio de Janeiro.

Um dos destaques é a apresentação do violonista e compositor gaúcho Yamandu Costa. Em um de seus depoimentos, diz que “o violão de sete cortas é inteligente e chega a propor idéias” ao músico. Já o trompetista Joatan Nascimento destaca que tocar choro não é para qualquer um, pois o estilo pede uma improvisação e nem todos são capazes.

Kaurismäki é um apaixonado pelo Brasil e sua cultura. Estabelecido no Rio de Janeiro desde meados da década de 1990, ele tem se dedicado a estudar e filmar a música do país. Como está aqui há um bom tempo, seu olhar já não é mais simplesmente o de um estrangeiro encantado com o exotismo.

Apesar do tom muitas vezes às vezes muito didático, Brasileirinho é um convite a viajar pela cultura brasileira – em especial aquela que está ligada ao choro. Kaurismäki dosa bem os depoimentos e apresentações gravadas num show feito no Dia do Choro, 23 de abril, quando também se comemora o nascimento do compositor Pixinguinha (1897-1973).

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