21/07/2026
Drama

Cidade dos Homens

Acerola (Douglas Silva) e Laranjinha (Darlan Cunha) têm 18 anos. Amigos desde crianças, agora enfrentam o dilema da paternidade. Acerola, porque tem um filho pequeno para criar. Laranjinha, porque procura o pai que nunca conheceu.

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Maioridade e paternidade são os dois temas que dominam este bem-vindo retorno dos personagens Acerola (Douglas Silva) e Laranjinha (Darlan Cunha). Os garotinhos que ganharam notoriedade a partir do curta Palace II (2001), cresceram e apareceram. Viraram protagonistas da bem-sucedida série Cidade dos Homens, exibida na TV entre 2002 e 2005. E fizeram história, ao lado de Lázaro Ramos e outros, como atores negros que têm vivido tempos melhores do que o das pioneiras Ruth de Souza e Lea Garcia, contribuindo para virar a página da discriminação analisada com tanta propriedade no livro A Negação do Brasil, de Joel Zito Araújo.

Os temas do roteiro assinado por Elena Soárez e pelo diretor Paulo Morelli – que já vinham da série - são igualmente bem-vindos, por tocarem na vida real e na contemporaneidade. Os dois amigos estão com 18 anos e olhando de frente o início da vida adulta. Acerola antecipou as coisas tornando-se pai antes da hora. Laranjinha, por sua vez, procura desesperadamente mudar o item “pai desconhecido” de sua certidão de nascimento.

Os amigos se aliam numa busca detetivesca atrás desse pai que Laranjinha não conhece. Quem procura, pode achar não exatamente o que esperava. Do lado de lá, está Heraldo (Rodrigo dos Santos), ex-presidiário que a princípio não quer saber de contato com o filho.

Acerola também está aprendendo a ser pai, mas sua própria criancice atrapalha. Um dia, esquece o filhinho de dois anos na praia, o que só não acaba mal porque um dos guarda-costas do traficante Madrugadão (Jonathan Haagensen), que é primo de Laranjinha, acaba levando o garotinho de volta pro morro.

A vida no morro, aliás, continua violenta. Rebenta uma guerra pelo controle do tráfico, desencadeada pelo lugar-tenente de Madrugadão, Nefasto (Eduardo BR). Acerola e Laranjinha, como os demais cidadãos pacíficos da favela, terão suas vidas transtornadas por essa guerra. Mais uma.

Filmado com câmera na mão em sete favelas do Rio, de Chapéu Mangueira ao Vidigal, Cidade dos Homens confia no mesmo naturalismo frenético que garantiu o sucesso de Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles, onde começou esta vertente do cinema brasileiro. Cidade dos Homens, o filme, é a continuação de um projeto de sucesso, inovador em mais de um sentido – especialmente, ao colocar a cara do povo na tela.

Com estes filmes e a série, a câmera subiu os morros cariocas e mostrou estas pessoas que já fazem parte do imaginário brasileiro. A idéia, porém, é que não se páre por aí, repetindo-se a fórmula. Talvez já seja hora de ir além.

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