Nos filmes de Sandler, também há uma questão amorosa. Apesar de seu jeito aparvalhado, o personagem sempre consegue o coração de suas heroínas, como Drew Barrymore (duas vezes, em Como Se Fosse a Primeira Vez e Afinado no Amor), Emily Watson (Embriagado de Amor) ou Kate Beckinsale (Click). Em Eu os declaro..., porém, o ‘interesse romântico’ é outro. Na verdade, não se trata exatamente de amor.
Sandler é Chuck, um funcionário exemplar do Corpo de Bombeiros do Brooklyn. Seu melhor amigo é Larry (Kevin James, de Hitch – Conselheiro Amoroso), um viúvo pai de dois filhos. Larry descobre que, por conta de uma regra burocrática, ele não pode indicar seus filhos como beneficiários de seu seguro de vida. Mas há uma solução: fingir um casamento com Chuck. Apesar da proposta nada tentadora, este acaba aceitando porque seu amigo já salvou a sua vida.
A dupla é avisada por uma advogada (Jessica Biel, de O Ilusionista) de que outros já foram pegos tentando aplicar a mesma fraude e que, se esse é o caso, serão punidos. Para levar adiante a farsa, Chuck e Larry assumem seu ‘romance’, tornando-se representantes dos direitos dos homossexuais. Isso não basta para convencer um investigador (Steve Buscemi, de Paris, Te Amo), que pretende desmontar a farsa.
A mentira provoca monte de confusões e piadas – umas engraçadas, outras nem tanto. Larry e Chuck têm que mostrar para o mundo que o amor deles é real e a relação, estável, além de enfrentar um pouco de homofobia.
A maior surpresa é o roteiro ser assinado por Alexander Payne e Jim Taylor (a mesma dupla que rendeu filmes como Sideways – Entre Umas e Outras e Eleição) e Barry Fanaro (Homens de Preto II). Payne e Taylor sempre tiveram seus nomes ligados a filmes independentes e de baixo orçamento – bem longe do universo onde se passa a maioria dos filmes de Sandler.
A direção, porém, é do habitual Dennis Dugan, que já dirigiu Sandler em filmes como O Paizão (1999). Como o diretor sabe que seus protagonistas são limitados, ele os cerca com coadjuvantes mais competentes como Ving Rhames (Missão Impossível 3) e Dan Aykroyd (Os Caça-Fantasmas), e outros nem tanto, como David Spade e Rob Schneider – que são presenças quase constantes nos filmes de Sandler.
Antes do lançamento de “Eu os declaro...”, Adam Sandler fez uma sessão do filme para ativistas de grupos gays, com medo de que o filme fosse ofensivo e gerasse protestos. Porém, a comédia é tão tola que é impossível levá-la a sério, ou mesmo ficar ofendido.
O trabalho anterior de Sandler, Reine Sobre Mim, não foi lançado nos cinemas brasileiros, e tem previsão de chegar às locadoras no próximo mês. Neste drama, o comediante está num papel mais sério, na pele de um homem que perdeu sua família nos atentados de 11 de setembro.
