O personagem central de Anjos Exterminadores é François (Frederic Van Den Driessche, de Conto de Inverno), um diretor de cinema na casa dos 50 anos que decide testar atrizes para um filme com cenas sensuais. Pede a uma delas que finja um clímax e ela acaba confessando que teve seu primeiro orgasmo, enquanto a câmera gravava tudo.
Esse incidente traz inspiração para François tocar um novo projeto. Ele crê que uma dose de proibição pode aumentar o prazer das pessoas. Nesse novo filme, o diretor coloca em cena um trio de jovens dispostas a se entregar física e espiritualmente umas às outras. Julie (Lise Bellynck), Charlotte (Maroussia Dubreuil) e Stephanie (Marie Allan) não têm pudores de se relacionarem nas frente das câmeras.
Porém, há dois anjos exterminadores caídos do céu (Raphaele Godin, Margaret Zenou) que estão dispostas a criar obstáculos a François. O próprio título do filme, Os Anjos Exterminadores, tanto é uma alusão ao famoso clássico de Buñuel quanto às mulheres, que acabam sendo o motivo da desgraça do protagonista. Há um quê de surrealismo, seja pela presença das duas figuras etéreas, ou mesmo o fantasma da avó do personagem, que tenta avisá-lo para tomar cuidado.
A forma como Brisseau filma a nudez e o sexo é a mais honesta possível. Passa longe de explorações gratuitas como as de Catherine Breillat (Romance X). Além disso, Anjos Exterminadores nunca cai numa pretensão intelectualóide, discutindo seu tema com seriedade.
Embora, François seja constantemente alertado – em especial por sua mulher -, ele descobre a duras penas que não é possível ter contato com algo tão erótico e ao mesmo tempo manter-se distante. Ingênuo, ele pensa que aquilo que as mulheres fazem para a câmera não é para ele. Por isso nega um envolvimento emocional com suas atrizes – que podem estar pensando o contrário.
Nesse sentido há uma discussão interessante sobre metalinguagem. Se as atrizes do filme de François estão se desnudando para o filme dele, elas não deixam de tirar a roupa para o filme de Brisseau. Portanto, se Brisseau pensasse em condenar a atitude de seu personagem, estaria condenando a si mesmo.
