Logo no início, separam-se o protagonista Rimini (García Bernal) e Sofia (Analía Couceyro) depois de 12 anos juntos. Esta separação conduz a trama do filme dirigido por Hector Babenco, baseada no romance homônimo do escritor argentino Alan Pauls. Rimini aluga um outro apartamento e vai embora levando as suas coisas. Porém, o casal não fez a divisão das fotografias que acumularam ao longo dessa vida em comum. Isso serve como um motivo e desculpa para Sofia ficar entrando em contato com o ex-marido.
Mesmo sendo muito passivo, Rimini parece ter superado sua ligação com Sofia. Logo começa uma relação com a modelo Vera (Moro Anghileri). Mas a ex-mulher não o esqueceu e continua a tentar reencontrá-lo. Isso complica o novo relacionamento de Rimini – afinal, a sua atual mulher é extremamente ciumenta.
Mais tarde, Rimini, que é tradutor, está casado com a colega de trabalho Carmen (Ana Celentano). Ainda assim, o fantasma de Sofia assombra a sua vida. Tomada pela obsessão do relacionamento acabado, a moça definha aos poucos.
Já Rimini começa a enfrentar um bloqueio para as línguas que ele conhece. Não consegue mais fazer traduções. Mais tarde, novamente sozinho, ele também passa a não cuidar de si mesmo, nem sair do apartamento onde mora. Um amigo o ajuda a superar essa fase, mas Rimini se envolve com uma mulher mais velha, o que lhe traz mais problemas.
Depois de um filme de temática social, como Carandiru, Hector Babenco retorna a um terreno do drama intimista, como já havia feito em filmes como Coração Iluminado (1998) e Ironweed (1987). Aqui são as relações humanas entre os personagens, seus encontros e desencontros que conduzem a narrativa.
Babenco e a roteirista Marta Góes contam esta história valendo-se de diversas elipses e saltos no tempo. Assim, não vemos Rimini começando a se apaixonar, mas, sim, quando ele já está imerso em novas relações amorosas. Rimini vai acumulando camadas com cada relacionamento, que, de certa forma, o modificam. Porém, o personagem nunca deixa de ser passivo, sempre conduzido pelas mulheres que ama.
O Passado é uma co-produção entre a Argentina e o Brasil. Embora a maior parte tenha sido filmada em Buenos Aires, algumas cenas foram rodadas no centro de São Paulo e no prédio da Bienal paulistana, no parque do Ibirapuera. Além disso, este é o último trabalho do ator Paulo Autran no cinema. Ele interpreta um professor francês a quem Rimini traduz numa palestra.
