04/06/2026
Drama

Vidas Secas

Pressionados por uma seca inclemente, Fabiano e sua família se embrenham pelo sertão, buscando imigrar para uma região mais próspera. O caminho é marcado por fome e tragédias.

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Um caso raro de adaptação para o cinema que nada deve à história original, do livro homônimo de Graciliano Ramos. O vencedor do grande prêmio da crítica do Festival de Cannes de 1964, Vidas Secas é a comovente história da família do retirante Fabiano e sua cadela Baleia, síntese da vida de milhões de flagelados da seca nordestina. A saga dessas pessoas é contada com poucas falas e planos longos, sem trilha sonora musical - só o som do carro de boi é ouvido - e fotografia em preto e branco ( de Luis Carlos Barreto) que, sem o uso de filtros, é fiel à aridez da caatinga.

Na década de 40, entre duas grandes secas que assolam o sertão nordestino, a família de Fabiano parte em busca de um destino melhor, chegam a uma casinha abandonada e por lá se assentam. O dono das terras tenta expulsá-los, mas Fabiano o convence de que é um bom vaqueiro, pede para ficar e consegue um trabalho. Mas uma nova seca colocará a família novamente na estrada e, para não morrerem de fome, Fabiano mata a cachorra Baleia que, velha e manca, já não consegue caçar preás para aplacar as necessidades da família.

Este filme marca a estréia e descoberta de um dos maiores atores brasileiros, Jofre Soares. Ex-marinheiro, foi contratado para auxiliar a equipe de produção na escolha de pessoas locais para trabalharem no filme, mas Nelson Pereira dos Santos viu nele o personagem do fazendeiro e, coadjuvante, quase roubou todas as cenas. No Festival de Cannes, o público ficou indignado com a morte da cadela Baleia, o que obrigou o diretor e Luis Carlos Barreto a mandarem a produção despachar a cachorra até a França para provar que ela estava viva.

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