Concebido e roteirizado pelo cantor, O Magnata fala de um universo que é bem conhecido dele: o mundo do rock e do skate. O personagem-título é vivido por Paulo Vilhena, que encarna um astro pop rico, famoso e mimado. Morando em São Paulo, ele sofre de uma espécie de mal do século pós-moderno e vive entediado com tudo – só tem prazer quando a adrenalina está alta.
Sua última aventura é roubar, por puro prazer, já que ele poderia comprar até uma Ferrari. Com a ajuda de amigos, o plano dá certo – ao menos para ele que, depois da ação, parte para mais um show. Aí conhece uma fã (Priscila Sol), que o paquera – mas ele se interessa pela prima dela Dri (Rosanne Mulholland).
Ela não gosta do jeito dele, mas a insistência do rapaz pode vencer a barreira. Há um outro problema na vida do Magnata – esse bem maior. O amigo que participou do assalto com ele foi preso e agora o músico é ameaçado pelo irmão do colega que vai matá-lo se não tirar o rapaz da cadeia.
O filme acompanha alguns dias de muita intensidade na vida do Magnata. Do roubo à paixão, o personagem busca redenção em meio ao caos que é a sua vida. Uma relação problemática com a mãe (Maria Luisa Mendonça) e o pai omisso – pitadas de Freud – justificam o comportamento autodestrutivo do personagem.
Como não poderia deixar de ser, num filme de Chorão, o skate tem um papel de destaque. Assim, vemos skatistas praticando o esporte pelas ruas de São Paulo, no Parque do Ipiranga ou em locais apropriados. O que isso tem a ver com a trama? Nada. Mas isso não importa. O que o diretor estreante Johnny Araújo quer é mostrar imagens de jovens sendo o que eles são.
O Magnata se propõe a falar com juventude das grandes cidades de hoje abordando o universo desses jovens. No primeiro quesito, o longa encontra um diálogo com o público que gosta da banda Charlie Brown Jr. e acredita em Chorão, ao colocar em cena amigos do músico, como Marcelo Nova, João Gordo, Marcelo D2 e o skatista Bob Burnquist. Já a segunda proposta é bem mais complicada.
Munido de boas intenções, em sua concepção, O Magnata pretende não se ater a julgamentos. Porém, em sua execução o que se vê são dedos sendo apontados para todos os lados e um moralismo fora de hora– seja em sua resolução ou na sua falsa libertinagem (quem acredita num ménage à trois com os participantes vestidos?).
Assim, o filme acaba dando a sua lição de moral, em meio a momentos improváveis (como o cantor Tiririca fantasiado de Elvis Presley numa casa de striptease). O resultado é um banho de água fria quando se esperava um pouco mais de provocação num filme concebido por uma das figuras mais polêmicas e desbocadas da cena atual da música brasileira.
