Judith Ralitzer (Fanny Ardant) fez sua fama publicando romances de gosto duvidoso mas sucesso garantido. O filme começa quando ela é interrogada pela polícia sobre sua possível conexão com um psicopata conhecido como o Mágico. Pelo noticiário de rádio, sabe-se que o criminoso fugiu da prisão. Conhecemos, então, Huguette (Audrey Dana), cabeleireira ingênua que é abandonada pelo namorado num posto de estrada quando iam para a casa dos pais dela. Quem se aproxima dela é um homem misterioso (Dominique Pinon), que acaba lhe oferecendo carona.
Com esses poucos personagens, Lelouch, que também assina o roteiro junto com Pierre Uytterhoeven, constrói uma trama cheia de idas e vindas, verdades e mentiras, embaralhando as identidades e relacionamentos dos personagens. Muitas das pistas, porém, podem ser falsas. Assim, o diretor consegue subverter a nossa noção daquilo que achamos que sabemos sobre Crimes de Autor.
Aos poucos, porém, Lelouch vai reassumindo os temas que lhe são caros em sua carreira: a força do destino para unir e separar pessoas. Assim, o acaso coloca Huguette e o homem misterioso, que pode ser perigoso ou não, sob o mesmo teto. Ou outros encontros nem tão ao acaso que vão sendo delineados na segunda metade do filme.
Sem contar o episódio do diretor no longa coletivo 11 de Setembro, Crimes de Autor é seu primeiro trabalho a chegar aos cinemas brasileiros em mais de dez anos – sinal de que algo não ia lá muito bem com os impulsos criativos dele. Aqui, ele retoma algumas das qualidades de seus filmes mais conhecidos e, embora não atinja o mesmo patamar de Um Homem, Uma Mulher, faz um trabalho satisfatório.
