PQD acompanha cerca de um ano no treinamento de 70 recrutas na Vila Militar (RJ). São rapazes de cerca de 18 anos, da zona oeste carioca e da baixada fluminense. Sem muitas perspectivas econômicas na vida, esperam encontrar no exército uma oportunidade de ascensão social.
Ao longo de um ano e meio, Coelho e sua equipe visitaram quase 120 rapazes, que pretendiam apresentar-se ao 25o Batalhão. Destes, 17 foram selecionados para participar do documentário. É um sonho para eles tornar-se um PQD. Um deles, por exemplo, é um paulista que se mudou para o Rio de Janeiro, porque só nessa cidade pode realizar seu sonho – em São Paulo, se selecionado, serviria o Tiro de Guerra.
A entrada para essa tropa de elite significa uma estabilidade econômica que é uma grande ausente na vida dos entrevistados. No primeiro ano, o salário é de cerca de R$ 300,00, depois sobe para mais de R$ 1000,00. O exército, então, assume uma outra função, que a sociedade não consegue cumprir: dar emprego e educação.
Até o fim do documentário, alguns rapazes conseguirão realizar o sonho, outros voltarão a ser civis. Até chegar a essa conclusão, o longa alterna seu foco entre a vida em família e a do quartel – exaltando assim, muitas vezes, o contraste entre os dois mundos. Porém, nem sempre situações e personagens são bem explicados, deixando algumas lacunas e dificultando o andamento de PQD.
Evaldo Mocarzel (Do Luto À Luta) também fez um documentário sobre o tema, Brigada Pára-Quedista (recentemente exibido em festivais no Brasil). Aqui, porém, o interesse é outro: entrevista militares veteranos e dá outro enfoque para a vida no exército. Não deixa de ser curioso, no entanto, que em tão pouco tempo o cinema brasileiro tenha se atido a um assunto quase sempre ignorado, produzindo, quase ao mesmo tempo, três filmes sobre as tropas de elite. Como o cinema, em especial o documental, mantém um diálogo com o momento histórico, a trinca não deixa de ser um aviso sobre a situação que o país enfrenta.
