04/06/2026
Comédia

O Diário de uma Babá

Annie (Scarlett Johansson) é uma jovem que quer ser antropóloga, mas acaba aceitando um emprego de babá. Com o tempo, ela percebe que a família para quem trabalha não passa de um bando de esnobes fúteis.

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Qualquer semelhança entre O Diário de uma Babá e O Diabo Veste Prada não será mera coincidência. Não apenas porque os dois são adaptados de livros de sucesso, mas especialmente no tema que partilham: o olhar de uma classe inferior sobre a mais rica. Neste caso, o foco está na alta classe de Manhattan, com suas mamães fúteis, desocupadas e sem tempo para os filhos.

O romance Diários de Nanny foi escrito por Emma McLaughlin e Nicola Kraus, que trabalharam como babás enquanto estudavam na Universidade de Nova York. Suas experiências serviram como base para esse livro, que tem um certo tom de desabafo – mais do que de crítica social.

Annie (Scarlett Johansson, de Encontros e Desencontros) acaba de se formar e pretende ser uma antropóloga. Porém, passeando pelo parque, uma ricaça a toma por uma babá e a convida para fazer uma entrevista para cuidar de seu filho. A moça acaba aprovada para a posição e decide transformar seu trabalho num estudo antropológico. Para isso, ela passa chamar a patroa de Sra X (Laura Linney, de Sobre Meninos e Lobos), e o marido de Sr X (Paul Giamatti, de O Ilusionista).

Os X tornam-se um estudo de caso para Annie, cujo nome não é compreendido pela patroa, que pensa que ela se chama “Nanny” (babá, em inglês). O Sr X, por sua vez, mal repara na existência da garota dentro de sua casa. O único laço de amizade dela é mesmo com o pequeno Grayer (Nicholas Reese Art, de Syriana).

A protagonista vai apaixonar-se por um vizinho, a quem chamará apenas de bonitão de Harvard (Chris Evans, de O Quarteto Fantástico), um indício para um final feliz. Já Laura Linney consegue imprimir um pouco de humanismo a sua personagem detestável, em princípio, roubando o filme para si em várias cenas.

A adaptação para o cinema não foge muito daquilo que está no livro – frustrando um pouco os que esperavam mais dos roteiristas e diretores, o casal Robert Pulcini e Shari Springer Berman, responsáveis pelo criativo O Anti-Herói Americano. As primeiras cenas, aliás, parecem mostrar que os cineastas tinham outra coisa em mente quando começaram a fazer o filme – mas acabaram rendendo-se a soluções mais convencionais.

Algumas modificações em relação ao livro apenas servem para tornar o filme mais implausível. No original, a personagem tem uma vasta experiência como babá. Aqui, ela consegue o emprego sem qualquer conhecimento prévio – como se uma mulher rica de Manhattan fosse contratar uma babá sem sequer pedir suas referências.

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