Felizmente, não há aqui o menor sinal da vulgaridade ou da ligeireza que contaminou filmes como Sexo, Amor e Traição e Avassaladoras. Contando com depoimentos de mulheres de várias idades, este filme explora obsessivamente o seu tema, criando espaço para que mulheres muito diferentes expressem como anda sua vida sexual. Muitas destas situações têm humor, por isso, escapa-se da aparência de uma investigação comportamental, que até foi um risco por aqui.
Assim, tem-se Laura, vivendo apaixonadamente a relação amorosa com o misterioso Mário (Fernando Eiras), que aparece e desaparece a seu bel-prazer. Uma liberdade que convém a ambos e que ela respeita, até que começa a incomodar. Em se tratando de mulheres, especialmente, os sentimentos costumam andar de mãos dadas com o desejo.
Ao lado de Laura, outras mulheres têm posturas diferentes. Ela tem uma amiga bem mais desinibida, que vive fantasias com parceiros da internet (Cristina Amadeo), e uma irmã travadona (Malu Galli). O lado documental do filme entra nos depoimentos que a documentarista vai acumulando para o seu filme, alguns reais, outros vividos por atrizes não famosas –– na mesma linda de Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho, embora com intenções bem diferentes.
Estreante como diretor de cinema, Euclydes Marinho está longe de ser um marinheiro de primeira viagem. Ele vem de uma longa carreira como roteirista de TV, participante de série de sucesso como Armação Ilimitada, Confissões de Adolescente e Malu Mulher - que certamente serviu muito de base aqui. Não só isso. A equipe de produção de filme foi a campo, montando questionários, abrindo uma comunidade na Orkut para dar substância à história que pretende contar. Com certeza, tem potencial para ter muita empatia com o público feminino.
Os homens, ao que se sabe, ficaram de fora por timidez. A equipe do filme ouviu mais de 70 deles, mas poucos depoimentos restaram. Eles não falaram nada. Elas, ao contrário, disseram tudo o que o filme está mostrando.
