No mesmo sentido, a trama sensível pode agradar. Já nas primeiras cenas, o espectador é apresentado à história de Jane (Katherine), uma jovem cujo grande sonho é casar. Enquanto o noivo não aparece, coleciona reportagens sobre casamentos e faz questão de ser dama de honra de todas as amigas, mesmo que isso signifique participar de duas festas ao mesmo tempo.
Jane, no entanto, é uma figura insegura, apesar de sua atitude alegre e solícita. Não tem coragem de confessar sua paixão secreta por George (Edward Burns), mesmo quando sua irmã Tess (Malin Akerman) tenta seduzi-lo. Também não consegue dizer não aos seus colegas de trabalho, que fazem pouco da moça.
Para piorar seu desespero, conhece o cínico repórter Kevin (James Marsden, de X-Men), que vê na curiosa obsessão casamenteira da protagonista uma pauta debochada para seu jornal. O espectador suspeitará, porém, que este confronto inicial com o rapaz será apenas passageiro.
A química conflituosa é substituída aos poucos pelo flerte humorado, tão caro aos filmes do gênero. Como invariavelmente ocorre em comédias românticas, a previsibilidade é uma marca indelével da trama.
Nesse contexto, a pouca originalidade de tudo o que se vê na tela soma-se ainda à pouca experiência de Anne Fletcher na direção. Com uma sólida carreira de coreógrafa, ela estreou como cineasta em Ela Dança, Eu Danço (2006), longa cujo mérito é apenas um par de bem-coordenadas cenas de dança.
No equilíbrio entre os méritos alardeados no pôster de Vestida para Casar e seu resultado final, não há qualidades suficientes para segurar a produção. Exceto, talvez, pelo carisma de Katherine Heigl e pela divertida participação da atriz Judy Greer (de Tudo pela Fama), no papel de confidente de Jane e alívio cômico da trama.
