Não era para tanto. Afinal, do que o filme trata mesmo é menos da morte de Bush – que continua vivo, como se sabe – e mais da especulação de como é que se move uma investigação desta ordem, caçando os suspeitos de sempre. No caso, os árabes.
O filme começa, justamente, com a lamentação de uma mulher síria (Hend Ayoub): “por que os assassinos não pensaram nos seus atos”?. A lamentação tem o peso de alguém que viu o marido preso apenas por ser sírio, trabalhar no edifício diante do hotel onde ocorreu o assassinato, ter servido no exército em seu país e ter feito viagens ao Paquistão e ao Afeganistão. O fato de que faltem provas materiais não tem a menor importância para o chefe do FBI, que dizia que visar os muçulmanos na investigação não era racismo e sim “senso comum”.
Para reforçar sua ligação com a realidade, dando-lhe a aparência de um verdadeiro documentário – mais de TV, para falar a verdade -, usam-se imagens reais do próprio Bush discursando num evento econômico no tal hotel de Chicago, com ruas sitiadas de manifestantes ferozes (mas a maior parte disso foi reencenada). Também se utilizam imagens do vice-presidente, Dick Cheney, com especial relevância porque foram tiradas de um enterro de personalidade cara ao governo norte-americano, com bandeira nacional recobrindo o caixão, reforçando a verossimilhança de que seu discurso falava do falecido Bush.
Tecnicamente bem-feito, o filme registra menos ousadia do que se poderia esperar em suas especulações. Imaginar que Cheney, feito presidente, investiria contra a Síria e editaria um Ato Patriótico III, restringindo ainda mais as liberdades nos EUA, parece pouco. Ou o que o filme quer dizer é que Bush seria tão desimportante que sua ausência não causaria tanto impacto assim?
