04/06/2026
Drama

A Morte de George W. Bush

10 de outubro de 2007. O presidente George W. Bush é assassinado diante de um hotel, em Chicago. Procuram-se suspeitos entre os manifestantes que lotavam as ruas antes de sua chegada e entre os muçulmanos.

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A morte do presidente norte-americano George W. Bush, diante de um hotel em Chicago, no dia 10 de outubro de 2007, é a provocação imaginada neste filme do inglês Gabriel Range. A provocação foi levada tão a sério que algumas redes de cinema norte-americanas - Regal Entertainment Group e Cinemark – recusaram-se a exibi-lo.

Não era para tanto. Afinal, do que o filme trata mesmo é menos da morte de Bush – que continua vivo, como se sabe – e mais da especulação de como é que se move uma investigação desta ordem, caçando os suspeitos de sempre. No caso, os árabes.

O filme começa, justamente, com a lamentação de uma mulher síria (Hend Ayoub): “por que os assassinos não pensaram nos seus atos”?. A lamentação tem o peso de alguém que viu o marido preso apenas por ser sírio, trabalhar no edifício diante do hotel onde ocorreu o assassinato, ter servido no exército em seu país e ter feito viagens ao Paquistão e ao Afeganistão. O fato de que faltem provas materiais não tem a menor importância para o chefe do FBI, que dizia que visar os muçulmanos na investigação não era racismo e sim “senso comum”.

Para reforçar sua ligação com a realidade, dando-lhe a aparência de um verdadeiro documentário – mais de TV, para falar a verdade -, usam-se imagens reais do próprio Bush discursando num evento econômico no tal hotel de Chicago, com ruas sitiadas de manifestantes ferozes (mas a maior parte disso foi reencenada). Também se utilizam imagens do vice-presidente, Dick Cheney, com especial relevância porque foram tiradas de um enterro de personalidade cara ao governo norte-americano, com bandeira nacional recobrindo o caixão, reforçando a verossimilhança de que seu discurso falava do falecido Bush.

Tecnicamente bem-feito, o filme registra menos ousadia do que se poderia esperar em suas especulações. Imaginar que Cheney, feito presidente, investiria contra a Síria e editaria um Ato Patriótico III, restringindo ainda mais as liberdades nos EUA, parece pouco. Ou o que o filme quer dizer é que Bush seria tão desimportante que sua ausência não causaria tanto impacto assim?

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