Tentando a vida como free-lance, Artur cria uma reportagem de TV sobre o italiano Carlo Ponti (1883-1949), personagem que montou um enorme esquema de “pirâmides” nos EUA, tirou o dinheiro de muitos investidores iludidos e passou pela prisão. Ironicamente, no final da vida, veio parar no Brasil, como funcionário de uma companhia aérea, e acabou na miséria, morrendo no Rio de Janeiro, num hospital de caridade.
O tema da corrida ao dinheiro leva ao corrupto político Ernesto Alves (Rubens de Falco, em seu último papel). Supostamente ganhador na loteria 1.313 vezes, ele acumula dinheiro nos armários do escritório. Dinheiro que, um dia, seu filho Carlos (Eucir Souza) vai jogar pela janela, provocando tumulto no centro de São Paulo.
Entram na trama motoristas de táxi, uma advogada (Gisela Reimann), uma dona de butique (Maria Padilha), uma mendiga e um catador de papelão – em cujo carrinho aparece um bebê supostamente seqüestrado que ninguém vê, porque todos só têm olhos para o dinheiro. Um grupo de velhinhos de um asilo e uma tribo indígena também entram na história, que contempla um apagão e uma dança da chuva.
A intenção de Steinberg é claramente criar uma sátira política. Por inexperiência e demora na filmagem (que levou cinco anos), o resultado fica bem abaixo do esperado. O desenrolar das situações é forçado, às vezes, pior do que isso. Mesmo curto, Fim da Linha se arrasta penosamente e faz com que se queira abandoná-lo bem antes do final.
