Um assunto sério com um tratamento pífio. É essa a sensação deste filme, que aborda o tráfico humano para o comércio sexual. Também, não era de se esperar algo muito relevante vindo de uma produção assinada por Roland Emmerich (Godzila, O Dia Depois de Amanhã). O longa parece querer carregar alguma relevância, mas não chega lá.
Adriana (Paulina Gaitan) é uma mexicana de 13 anos, seqüestrada em seu país e levada para Nova Jersey, onde sua virgindade será leiloada. Nessa jornada de horrores, ela encontra uma amiga na polonesa Veronica (Alicja Bachleda-Curus), que está na mesma situação.
Elas são transportadas por Manuelo (Marco Perez), um homem cruel, mas em crise. O que eles não sabem é que Jorge (Cesar Ramos), irmão mais velho de Paulina, viu o seqüestro e está no rastro deles para salvar a irmã.
Baseado num artigo publicado numa revista norte-americana em 2004, o roteiro de José Rivera (Diários de Motocicleta) força nos clichês – em especial nos preconceituosos, como dizendo que todo mexicano é corrupto, ou na violência insuportável sofrida pelas moças.
Mas o problema com Desaparecidos é mais evidente na forma como o diretor alemão Marco Kreuzpaintner trata do problema. Há uma linha tênue entre a denúncia e o sensacionalismo e, claramente, ele está no segundo terreno. Ao transformar o drama de seus personagens em imagens tão plasticamente bonitas, ele abre mão da urgência do seu tema, transformando em entretenimento aquilo que merecia seriedade.
Recentemente, David Cronenberg tratou do mesmo assunto em Senhores do Crime de forma mais inteligente e lúcida – sem buscar o choque, nem fazer um filme-denúncia, mas explorando mazelas humanas. Aqui, porém, Kreuzpaintner erra a mão.
