A vida dessas três figuras do mundo do entretenimento é o centro desta comédia escrita e dirigida por Tom DiCillo, que zomba da indústria das celebridades instantâneas, cuja fama se constrói em cima de escândalos, fabricando outros ainda piores para manter-se em evidência.
Por mais que ele o negue, o personagem de Buscemi é um paparazzo, sempre atrás de uma grande foto, de preferência de K’Harma, para poder faturar alto. Ele conhece Toby enquanto espera que a jovem estrela saia de uma boate e acaba contratando o rapaz como seu assistente.
K’Harma também se interessa por Toby, mas de outra forma. Ela acabou de ser traída pelo namorado – e isso já chegou aos jornais – e precisa dar o troco rapidamente, mostrando para o mundo que já tem um novo amor. Ao mesmo tempo, Toby torna-se famoso ao ganhar seu próprio programa de televisão, que leva o seu nome e mostra a sua vida de sem-teto.
Para isso, conta com a ajuda de uma diretora de elenco, Dana (Gina Gershon, de P.S. Eu Te Amo), que vê nele uma cara nova para a televisão. Em pouco tempo, Toby é promovido de desconhecido a amante de Dana, a ex-amante e celebridade nacional, conquistando a atenção de K’Harma.
A forma como DiCillo observa essa dinâmica do sobe-e-desce do mundo das estrelas permite que os paparazzi sejam vistos não como alvos e sim elementos fundamentais para que as engrenagens continuem rodando. Como diz o próprio Les: “Os fotógrafos fotografam as celebridades porque as revistas compram as fotos e o público quer ver isso nas revistas”.
Para não deixar nenhuma dúvida de que Delírios é uma sátira, Elvis Costello aparece numa das cenas e diz que está colaborando com K’Harma num musical da Broadway sobre a vida de Britney Spears.
A história pode não abordar nada de novo a respeito do mundo das celebridades, mas seu olhar aguçado sobre pessoas que ficam famosas sem talento ou esforço e o jogo de aparências orquestrado pelos relações públicas resultam uma visão bastante ácida da sociedade contemporânea.
