Produtor e diretor de filmes de suspense e terror mais sofisticados, caso de A Espinha do Diabo e O Labirinto do Fauno, o mexicano Guillermo del Toro apenas produz este mediano O Orfanato em que, mais uma vez, recorre a fantasmas infantis.
A visão da infância de del Toro, traduzida em seus filmes, é sempre perturbadora. Uma infância que volta com força à vida de uma mulher adulta, Laura (Belén Rueda, de Mar Adentro), que decide voltar a viver na casa onde funcionava o antigo orfanato. Ali ela cresceu até os 7 anos, quando foi adotada.
Seu plano, na verdade, é de resgate do lugar, hoje abandonado. Junto com o marido médico Carlos (Fernando Cayo) e o filho Simon (Roger Príncep), ela pretende criar ali uma instituição voltada ao atendimento de crianças com alguma deficiência. Antes que o plano de reforma seja colocado em prática, Laura encontra motivos de inquietação.
Seu filho começa a falar de um amigo invisível. Quando o desenha, como uma criança que usa um saco de papel cobrindo o rosto, evoca uma figura do passado de Laura no orfanato. Depois da visita inesperada de uma suposta assistente social (Montserrat Carulla), o menino descobre dois segredos de sua vida e desaparece repentinamente.
O desespero de Laura leva-a a explorar todas as hipóteses, inclusive as paranormais. Ela suspeita de que haja fantasmas na casa, até porque ela mesma já viu um – talvez a seqüência que dá o maior susto do filme. Não encontrando o filho depois de meses, recorre a uma vidente, Aurora (Geraldine Chaplin) que, em transe, visita cada canto da casa e lhe dá algumas pistas.
Longe do brilho dos filmes dirigidos por del Toro, o diretor estreante Juan Antonio Bayona faz um trabalho apenas razoável. Só são mesmo acima da média o desempenho de Belén Rueda, na pele de uma mãe disposta a tudo para encontrar o filho, e a fotografia de Oscar Faura, traduzindo em meios-tons a ambigüidade da história.
