O conhecido ator Ricardo Darín (O Pai da Noiva) atua e estréia como diretor, ao lado de Martin Hodara. Na verdade, foi a adesão de Darín ao projeto que impediu que o filme fosse interrompido por ocasião da morte de Eduardo Mignogna, autor do romance homônimo e co-roteirista.
Darín faz uma estréia cautelosa como diretor, parecendo não querer se afastar demais dos clichês do gênero noir – a dupla de detetives-sócios que têm suas diferenças, as nuvens de cigarro, o escritório apertado e escuro num prédio sem charme, a mulher fatal que desestabiliza o homem cético – no caso, Corvalán, o detetive vivido por Darín.
O rosto mais conhecido do cinema argentino que chega ao Brasil, Darín afasta-se um pouco de seu registro habitual, vivendo um homem amargo, cujo maior afeto é dedicado ao cão Lobo. Ele tem uma relação trivial com a namorada (Andréa Pietra) e leva seu trabalho com uma dedicação fria. Nem mesmo as apostas nos cavalos, que ele compartilha com o sócio Santana (Diego Peretti) parecem fazer a menor diferença para ele.
A visão da bela Glória (Julieta Díaz) no bar do Jóquei Clube, porém, desestabiliza Corvalán. Quando ela o procura, dias depois, encomendando-lhe o trabalho de seguir um homem por alto pagamento, ele aceita sem desconfiar. Quando mortes começam a acontecer, Corvalán dá-se conta de que se envolveu com jogo muito mais alto do que suas apostas. E que isso não costuma ser saudável para gente como ele. Afinal, Glória é mulher de um poderoso chefão do crime organizado e parece ter uma agenda própria.
O filme é elegante, bem-feito, mas ressente-se de um andamento um pouco solene e lento demais.
