O pai deles, Lenny (Philip Bosco), sofre de demência vascular. Sua segunda mulher morreu e os filhos dela recusam-se a cuidar dele, que é seu padrasto há 20 anos. Nesse momento, Wendy e Jon são chamados a uma responsabilidade, para a qual não se sentem muito à vontade. Acontece que Lenny foi um pai abusivo em sua infância, não deixando boas lembranças. Há muitos anos estes seus filhos criaram uma nova vida longe dele. A mãe também formou outra família, e rompeu todos os vínculos.
Jon e Wendy têm, portanto, que resolver o que fazer com esse estranho que faz parte de suas vidas e cujo reencontro abre aquele doloroso arquivo afetivo que eles queriam manter fechado. Na situação, porém, não há como esquivar-se. Os dois levam Lenny para Nova York, arrumando-lhe vaga numa casa de repouso.
Enquanto isso, os irmãos moram juntos, depois de um longo tempo longe um do outro também. É dessa convivência complicada que o filme extrai seu melhor material. Para isso, requer-se dois atores do quilate de Laura Linney (indicada ao Oscar por este trabalho) e Hoffman, esplêndido aqui, como em seus demais filmes recentes (entre eles, Jogos do Poder, que lhe deu nova indicação ao Oscar).
Ambos envolvidos profissionalmente com teatro, Jon e Wendy reconstroem canais de comunicação, exploram novas fronteiras, reconhecem-se e são capazes de trocas. Por mais duro que seja, há comunicação aqui, há também afeto. A família Savage, afinal, não é nem muito disfuncional, nem muito bizarra. É bem mais comum do que parece. E a renovação dos destinos que estes dois irmãos ensaiam é serena, gradual e muito plausível. Merecida, também, a indicação ao Oscar e a outros prêmios, para o roteiro original da boa diretora Tamara Jenkins.
