Baseado no romance A Estrada da Reserva, de John Burnham Schwartz, com roteiro assinado pelo escritor e pelo diretor, Traídos Pelo Destino começa com um acidente de carro. Dwight (Ruffalo) atropela e mata o pequeno Josh (Sean Curley), filho de Ethan (Phoenix) e Grace (Jennifer Connelly). Ele foge sem prestar socorro, porque está com pressa de levar seu filho (Eddie Alderson) para a ex-mulher (Mira Sorvino) no horário.
A partir de então, o filme mostra paralelamente a história desses dois homens, um atormentado pela culpa, o outro, pelo desejo de justiça, cuja vida mudou num segundo. Dwight, por mais problemático que possa ser, até então não era um criminoso. Ethan vê sua família se esvaindo aos poucos. A mulher não consegue lidar com a perda e se fecha em si mesma, dando pouca atenção à filha (Elle Fanning), que sente a falta do irmão e a omissão dos pais.
Numa tentativa de se redimir no plano pessoal, Dwight quer se aproximar de seu filho problemático, com quem não tem muito contato. O personagem está aproveitando aquilo que Ethan não poderá ter, pois lhe foi tomado. O filme está, e isso fica insistentemente claro, traçando paralelos entre duas vidas que estarão ligadas para sempre.
Numa dessas reviravoltas, que os roteiristas adoram chamar de armadilhas do destino, Ethan contrata os serviços da firma de advocacia de Dwight para investigar o acidente – uma vez que ele, Ethan, não está contente com o trabalho da polícia. Dwight se assusta ao se ver encurralado e tenta fingir que está trabalhando no caso, enquanto busca uma saída.
Essas pequenas coincidências vão enfraquecendo Traídos Pelo Destino, que em sua meia hora final já se perdeu por completo, tornando-se um filme de vingança metido a cerebral. Por mais talentosos que Phoenix, Ruffallo e Jennifer sejam, não conseguem salvar esse samba de uma nota só - todos parecem perdidos. Além disso, George não se preocupa em trabalhar as imagens. O resultado mais parece um filme feito para televisão, com suas metáforas rasas e sua boa vontade vazia.
No romance, os três personagens são retratados em capítulos separados, o que permite profundidade emocional. Burnham Schwartz combina suspense com o arco dramático dessas pessoas, resultando num livro que empolga e faz pensar. No filme, George transformou a morte de uma criança – e é preciso bastante coragem para matar uma criança mesmo que por motivos dramáticos – em algo vazio, que não discute culpa, perda, laços familiares ou mesmo as tais armadilhas do destino.
