26/06/2026
Drama

Fôlego

Yeon é uma dona-de-casa que tem vida confortável, um marido e uma filha. Quando ela vê pela televisão a notícia de que um condenado à morte tentou o suicídio na prisão, decide ir visitá-lo. Aí começa um estranho relacionamento.

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Um dos nomes mais conhecidos do moderno cinema sul-coreano, Kim Ki-duk chega ao seu 14º filme, que concorreu à Palma de Ouro em Cannes 2007, recuperando a pegada mais autoral que caracterizou trabalhos como Casa Vazia (2004).

Como naquele filme, há uma história de amor inusitada conduzindo a trama. Assistindo ao noticiário de TV que informa sobre uma nova tentativa de suicídio de um jovem condenado à morte, Jang Jin (Chang Chen), a dona-de-casa Yeon (Zia) decide visitá-lo. Como em outros filmes do diretor, não há justificação psicológica, nem informações sobre o passado dos protagonistas que expliquem seu comportamento. Ele agem aparentemente movidos apenas por um impulso ou emoção que prevalece à flor da pele.

Casada com um marido indiferente (Ha Jeong-woo, de Time, filme anterior do diretor), mãe de uma filha, e ostentando um padrão de vida muito confortável, Yeon parece uma candidata improvável a um contato com o mundo de Jin – cujo crime só é revelado próximo do final do filme, para efeito dramático.

Yeon e Jin nunca se encontraram. Para burlar a vigilância da prisão, ela mente que é uma ex-namorada. O diretor da prisão, que nunca é visto, mas observa tudo atrás de câmeras de segurança – criando um irônico paradigma para o próprio diretor do filme – dá a permissão, movido pela curiosidade. O prisioneiro, afinal, não tem suscitado nenhuma reação piedosa, nem recebeu qualquer visita.

O comportamento de Yeon será cada vez mais intrigante. Para começar, pela energia que dedica a essas visitas aparentemente sem motivo, decorando com cuidado as paredes da sala onde se encontra com Jin, com paisagens floridas e sugestivas de uma vida idílica do lado de fora. Além disso, ela prepara canções para cantar para ele a cada vez. Silencioso, ele nada responde, nem parece reagir aos atos dessa estranha mulher, seu único contato humano fora da cela – dividida com outros presos, como um homossexual que se apaixona por ele.

Um dos temas da história, também escrita por Kim Ki-duk, está nas barreiras de comunicação. Nos encontros a dois, há sempre um que fala, enquanto o outro nada diz. É o caso de Yeon, tagarelando com o prisioneiro mudo, aparentemente insensível ao seu contato. Quando ela vai para casa, é seu marido quem fala, ela nada responde.

Outro tema inscrito desde o princípio é a morte – iminente para o prisioneiro condenado e detalhe já experienciado pela mulher na infância. No fundo, o que é mais instigante nos melhores filmes de Ki-duk são estes exercícios de minimalismo que buscam a intensidade. Os espectadores são convidados a embarcar, preencher as lacunas e fazer seu próprio juízo.

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