O tango sobrevive até hoje como o ritmo musical que representa a Argentina. O documentário O Último Bandoneón investiga a ligação deste gênero com as pessoas e os relacionamentos, focando na história de diversos músicos – uns conhecidos e outros nem tanto.
Bandoneón, para quem não sabe, é um tipo específico de acordeão menor do que o comum, geralmente usado para o tango. Marina Gayoto é uma musicista que toca nas ruas e no metrô de Buenos Aires. Ela participa de um teste para integrar a orquestra de Rodolfo Mederos – um renomado maestro e compositor argentino.
Marina é uma boa musicista, mas o seu instrumento é velho demais. Mederos sugere que ela encontre algo melhor. A moça começa sua jornada em busca de um Double A – uma espécie de Stradivarius dos bandoneóns, tamanha a sua qualidade. Mas encontrar um não é nada fácil, uma vez que deixaram de ser produzidos desde o início da Segunda Guerra.
A busca de Marina é apenas o princípio de uma jornada pelos sons e histórias do tango. O encontro com músicos de diversas gerações confere a densidade a O Último Bandoneón. Muitos deles vivenciaram a época de ouro do tango, nas décadas de 1930 e 1940. Assim, o diretor Alejandro Saderman traça um painel social e cultural da música e a sua relação com a sociedade argentina.
Entre esses entrevistados está um grupo de músicos veteranos, Gabriel Clausi, Marcos Madrigal, Luis Masturini, Miguel Mastantuono e Luis Aníbal, que se reúnem todos os finais de semana e homenageiam antigos maestros do tango.
Enquanto isso, Marina entra em alguns empreendimentos – como um concerto e performances nas ruas - para conseguir o dinheiro para comprar um Double A que será leiloado – e está poderá ser sua grande chance.
A principal qualidade de O Último Bandoneón está em lembrar que tão importante quanto a arte musical são os músicos. Por isso, ao combinar música e conteúdo humano, o documentário de Saderman consegue ir além de um mero registro de uma forma de expressão.
