De um notável quarteto de atores veteranos, como a própria Cleyde, Walmor Chagas, Antônio Petrin e Sérgio Mamberti, a história extrai uma espécie de segunda vertente, que alimenta a primeira, o romance entre Nina (Helena Ranaldi), dona de um hotel, e Miguel (Dario Grandinetti), um arquiteto argentino.
O roteiro, de autoria do próprio Sturm, em parceria com Adriana Lisboa e Flávio Carneiro, cria analogias entre a história de amor e a da cidade de Candeias, onde se localiza a ação, para falar do ciclo da vida e da morte. A cidade, que agonizou e foi esvaziada por conta do plano de construção de uma barragem, foi salva pelo abandono do projeto. Está sendo repovoada pelos antigos moradores, entre eles, Nina, que vai reativar o antigo hotel de sua família.
Miguel chega à cidade perdido, à procura de uma velha moradora (Cleyde) que o contratou para a reforma de sua casa. O acaso une Nina e Miguel, numa paixão que terá, igualmente, seu ciclo de vida e de morte, não apenas figurado, mas real.
A experiência da morte de uma pessoa amada é, assumidamente, uma das inspirações do diretor para construir esta narrativa, que se pretende simples como a escola do cinema argentino recente. Sendo assim, não há grandes vôos. Pretende-se atingir uma história enxuta, clara, que dialogue com o público.
No Cine PE, isto claramente ocorreu, como demonstraram os calorosos aplausos e o prêmio do júri popular. Não se pode ignorar, também, o grito de “novela!”, nitidamente crítico, que partiu de alguns espectadores da sessão em Recife e acabou sendo pichado no cartaz do filme, à entrada do Cine-Teatro Guararapes. Há, portanto, espectadores que identificam em Bodas de Papel traços de uma narrativa didática e de pouco brilho que norteia a maioria esmagadora das novelas brasileiras. E anseiam por um modelo alternativo na tela grande.
As próprias limitações da dramaturgia da televisão parecem ter atrapalhado também a atriz Helena Ranaldi, estreando no cinema, e ficando bem aquém do esperado em vários momentos dramáticos. A registrar, em todo caso, a boa participação do ator argentino Grandinetti, estreando no cinema brasileiro e falando um português bem aceitável. Se ele não brilha tanto como em Fale com Ela, a culpa não é dele e sim do roteiro.
